DEUSES  e  PLANETAS

- na síntese do verso –

Jo®ge das Neves

astroneves@infolink.com.br

poeta@infolink.com.br

 

I N T R O I T O

Quidquid  tentabam

versus erat

OVÍDIO

 

E tudo aquilo que eu tentava dizer

saía-me em verso

 

*

 

Máximas do Grandioso

TEMPLO DE APOLO

em

DELFOS

 

* CONHECE-TE A TI MESMO *

 

* NADA EM EXCESSO *

 

http://jorgedasneves.com

 

P R Ó L O G O

em

 

Deuses e Planetas – na síntese do verso

Jorge das Neves

visa a complementar

o livro

Poesias dos Signos

Elas e Eles e os Ascendentes

passando pela Mitologia

e

 numa segunda parte

fazendo abordagem poética dos planetas

através de enfoque astrológico.

Além da bibliografia de que se socorreu,

o poeta elaborou um glossário

em que procura

sintetizar os arquétipos oportunamente abordados

para desenvolver

o que vai aqui exposto no site.

Esse glossário

visa a facilitará o entendimento

sobre o assunto

numa rápida consulta

acaso necessária.

Deus queira tudo faça sentido

e

possa servir de estímulo

para eventual desejo de aprofundamento

por parte dos interessados.

Como vivemos num mundo em constante renascer

RENASCER

é a palavra chave

que naturalmente surge desse trabalho poético.

Ao final da parte dedicada aos deuses encerraremos

com

 

APELO AO SER HUMANO

Nada em excesso

(inscrição no Templo de Apolo, em Delfos)

*

D E D I C A T Ó R I A

à Marilena

esposa e parceira

à psicóloga Maria Laura de São Paulo

que digitou a partir dos originais

à Mestra Jana Arruda

criadora e produtora deste site

às deusas e deuses

que do Olimpo me inspiram

ao Supremo DEUS

que me concede

o dom da cadência e a rima nos versos

 

 

D E U S E S

Há deuses, semideuses, divindades

regendo nossas vidas, nosso mundo,

influindo nos lares e cidades

de um modo pleno, cósmico, profundo.

 

São nossos conselheiros, porta-vozes

e presença do Céu em nossa vida.

Às vezes, lentos; ou, então, velozes

para que os fatos cada qual presida.

 

Abramos nosso espaço e coração

aos deuses, à energia dos planetas

de arquétipos tão belos, como são

belas as flores para as borboletas!

 

JO®GE DAS NEVES

 

Z O D Í A C O

 

Abrem-se os portais do Céu, e as energias

dos planetas, girando em suas harmonias,

nos chegam sutilmente. Algumas são vorazes,

com ciclos abissais, rompendo-nos as bases

dos arcaicos padrões, jamais modificados.

Outras são cordiais, trazendo aprendizados,

compondo as emoções, mexendo na saúde,

com certa conseqüência e especial virtude...

Façamos nossa parte, aos trânsitos atentos

e às mínimas lições, para que os bons momentos

preencham nossa vida, e nosso mapa seja

a seta do caminho e, nunca uma peleja.

 

JO®GE  DAS  NEVES

 

 

P A R T E     I

EVOCAÇÃO AOS DEUSES

“ Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses ”

(inscrição no Templo de Apolo, em Delfos)

 

Ó Deuses, eu me ponho para ouvi-los

na plenitude dessa afinidade,

rogando  por caminhos mais tranqüilos

nas dimensões divinas da Verdade!

 

Nada em excesso. Nada muito largo

e nada muito estreito. Nada fundo

demais, mas não tão raso. Nada amargo

nem doce em demasia neste mundo.

 

No equilíbrio desejo minha vida

sob o sagrado fogo e proteção

que essa justa balança consolida

através da absoluta precisão.

HADES:

“... deus dos tesouros enterrados,

de uma oculta e sutil prosperidade,

que se pode encontrar sem fantasia.

Vai depender de uma sabedoria,

de uma transformação com lealdade.”

PLUTÃO:

“Transforma esse planeta os sentimentos

com as energias e o poder que tem,

quando se alcançam os entendimentos

é que a vida floresce e nos faz bem.”

 

O  OLIMPO

O Olimpo se criou das mãos fortes de Zeus

que se tornou senhor dos céus. Todos os mares

Posídon recebeu,

enquanto que ficou com Hades, outro deus,

o Centro da Terra e o domínio dos lugares

escuros como breu.

 

A esplendorosa corte havia sobre um monte

de altos picos. Ali, palácios imponentes,

guardados pelas Horas,

faziam reluzir, na linha do horizonte,

o outro puro e os cristais com dons revivescentes

nas rúbidas auroras.

 

As lindas deusas, sempre atentas aos deveres,

faziam com que o céu brilhasse cristalino

e o sol iluminasse.

Cumpriam-se estações, com todos os poderes,

e a brisa que soprava um toque peregrino

beijava-lhes a face.

Mas não chovia e não ventava na morada

divina. Tão perfeito era o clima no Olimpo

que a nuvem se perdia.

Tristeza inexistia. Alegre era a jornada

e um páramo de aluz, tranqüilo e sempre limpo,

aos deuses assistia.

 

Ouvia-se o cantar de Musas e de Graças

que entoavam, em coro, os hinos divinais,

alegres a dançar,

e não havendo horror, nem pragas e ameaças,

a velhice também mostrava-se jamais

no encanto do lugar.

 

JO®GE  DAS  NEVES

 

A VIDA NA CORTE DOS DEUSES

Duas ânforas Zeus mantinha no portal

da Corte, demonstrando a sua decisão

de separar os dons:

numa se punha o bem; noutra, somente o mal.

Delas aquele deus fazia a dotação

para os mas, para os bons,

 

sobre a Terra atirando as partes concernentes,

a fim de que o mortal, afeito às más ações

por gosto praticadas,

recebesse a desgraça e todas as sementes,

a conseqüência exata e mais as reversões

ali acumuladas...

 

Por outro lado, aos bons cabia toda a sorte.

Mas, na prática havia o peso na balança

controlada por Zeus,

não cabendo a ninguém pesadíssimo porte

ou levíssimo fardo: havia temperança

nos desígnios do deus.

 

Às Parcas (que eram três) cabiam decisões

que os deuses e os mortais deviam aceitar

porque eram sem retorno.

Da vida humana as leis, sem modificações,

cabia-lhes dizer, fazê-las funcionar

isentas de suborno.

 

Compensado esse horror das Parcas resultante

a Fortuna trazia o mágico instrumento

de todas as riquezas:

a Cornucópia! A lenda é muito fascinante

e traz com seu condão a mágica do alento

no bojo das tristezas...

 

JO®GE  DAS  NEVES

 

 

 

 

 

 

ZEUS – Júpiter, Senhor do Olimpo

 

Urano era o Céu; Geia, a deusa-Terra!

Saturno, um descendente, fez a guerra

de morte, por seu ódio ao genitor,

aquele que seria destronado

por um dos filhos muito revoltado,

como veio um oráculo dispor.

 

De fato, essa revolta sobressai,

e Saturno, castrando o próprio pai,

tomou-lhe o trono e fez-se ditador.

Ao invés de reinar com toda a glória,

temia repetir-se a mesma história

e, assim, tornou-se um rei devorador.

 

Finalmente, esse reino conquistado

foi dividido e logo sorteado:

o mundo subterrâneo, a Plutão;

a Posídon, o mar; e ao próprio Zeus

coube o céu, e lhe coube – sendo deus –

da superfície toda a extensão!

 

Foi Zeus Senhor do Olimpo consagrado

por ser um deus por deuses respeitado,

pois, dominando raios e trovões,

tinha o esplendor e toda a majestade

capaz de fuminar, com a claridade,

as mais transcendentais confrontações.

 

Saturno os filhos todos engoliu,

até que Zeus nasceu. Numa ousadia,

Réia – aquela mãe com novos planos –

quis proteger o filho que tivera

entregando a Saturno – aquela fera –

uma pedra envolvida em muitos panos.

 

Júpiter, uma ninfa alimentou...

Ele cresceu, bem forte se criou

para, um dia, do pai tirar o trono.

Não desejando agir com displicência

- instruído por Métis, a Prudência –

provocou em Saturno um longo sono.

 

Eis que o pai, expelindo os engolidos

filhos, estes qual deuses renascidos

foram gratos a Júpiter, como irmão...

As batalhas tornaram-se sangrentas

e, por dez anos, foram cruentas

que Saturno entregou-se a rendição.

 

JO®GE  DAS  NEVES

 

 

APOLO – mitológico Sol

Deus Apolo pertence à geração

segunda dos Olímpicos. O filho

de Zeus e Leto – como diz Platão –

é o “exegeta nacional”, o brilho.

 

Também chamado Febo, o “deus brilhante”,

do Oráculo de Delfos detentor,

na realidade pura é resultante

da evolução profunda de um valor.

 

Houvera, anteriormente, a divindade

Hélio, da geração mais odiada

dos Titãs, que mostrava qualidade

que por Zeus fora muito apreciada.

 

Na Astronomia grega, todavia,

que passou por progressos evidentes,

Hélio perdeu o curso que fazia

Apolo o superou, sem precedentes.

 

Aconteceu, porém, que a divindade

do mito grego antigo e tão profundo,

permanecendo afim com a claridade,

no alvorecer se faz “olho do mundo”.

 

 

Sendo um deus ético, Apolo

trouxe à terra importante evolução,

fazendo com que Delfos fosse o polo

de justiça, sem lei de talião.

 

“Conhece-te a ti mesmo” – seu recado

acrescido de “Nada em demasia” –

ali gravou-se como um atestado

de como a Luz na mente se irradia.

JO®GE  DAS  NEVES

 

MERCÚRIO – deus da astúcia, HERMES - psicopompo

 

Mercúrio (o Hermes na Grécia) o amor filho

de Júpiter e Maia! Por seu brilho

e por sua precoce habilidade,

tanto podia ser um embusteiro

como um eficiente mensageiro

na mais conceitual duplicidade.

 

Logo ao nascer iniciou, com manha,

atividade incrível: a façanha

de furtar parte de um rebanho, atando

folhas à cauda dos roubados bois,

de tal maneira que ninguém, depois,

os rastros estaria pesquisando.

 

Eram reses de Apolo, e o ladrãozinho,

limpando as evidências do caminho,

pode, afinal, negociar o gado.

Mas, sabendo que os bois eram os seus,

o deus Apolo se queixou a Zeus

para punir o autor desse atentado.

 

No caminho, Mercúrio fez a lira

e, com muita destreza na mentira,

saiu-se bem daquele envolvimento

porque, de fato, tinha muitos dons.

Não é que Apolo se encantou dos sons

e fez negócio, sem ressentimento?

 

E até lhe deu lições especiais,

cajado, caduceu e uns animais.

Mercúrio foi aceito como deus:

presidia os caminhos e as estradas,

as fronteiras, também encruzilhadas,

sempre a serviço especial de Zeus.

 

Além de toda essa inventividade,

tinha o poder da invisibilidade.

Num só pestanejar algo fazia

no mais incrível de uma rapidez,

com tamanho talento e sensatez,

que ninguém suas manhas descobria.

 

: PSICOPOMPO, cuidava dos enterros...

: HERMES sabia concluir, sem erros,

nas decisões sobre mortalidade,

pois dominava bem essa função

e, por isso, detinha a profissão

de saber quem morrera de verdade.

 

O PRIMEIRO DE MAIO era seu dia *

em Roma, quando o povo, que aspergia

as águas de uma fonte muito pura,

rogava ao deus por um comércio forte,

eficiente, esplêndido, de sorte,

trazendo às partes lucros e fartura!

JO®GE  DAS  NEVES

* Pode-se concluir que MERCÚRIO <> HERMES

era (ou ainda é)

o mais rápido, criativo e operoso deus do Olimpo.

Por todo o seu incessante labor, era o “deus do trabalho”,

ficando por isto (no mundo atual) o PRIMEIRO DE MAIO com essa simbologia.

LUA ARQUETÍPICA – “ deusa triforme ”

ÁRTEMIS, HÉCATE, SELENE

 

A Deusa-Lua se desdobra em três:

Ártemis, Hécate e também Selene,

cada qual com seus cultos e porquês

nessa Mitologia que é perene.

 

A Lua, com seu cunho cambiante,

nos envolvendo em circunstâncias tais,

obriga-nos a ver, a cada instante,

o mito que se expressa mais e mais.

 

Selene é mais ou menos LUA-CHEIA

pois, normalmente boa e dadivosa,

delega a faculdade que norteia

fertilidade mágica e amorosa.

 

Hécate é o MINGUANTE e a LUA-NOVA

deusa ctônica, malévola, cruel,

a LUA-NEGRA, quando nos reprova

pelo mau uso do seu denso mel.

 

Deusa Ártemis – Diana – é o CRESCENTE

por vezes bom, às vezes destruidor:

a GRANDE-MÃE que fere cruelmente

ou GRANDE-MÃE fecunda pelo amor.

JO®GE  DAS  NEVES

 

AFRODITE – deusa do Encantamento

 

Ela nasceu no mar, do esperma fecundante

na castração do deus Urano, que Saturno

- o filho – mutilou, naquele exato instante

do silêncio da noite envolta em breu noturno.

 

Ela é considerada a filha do deus Sol

com a deusa Lua, e amante amada da beleza.

Na Babilônia, Ihstar. Às vezes um farol,

era a fertilidade à luz da natureza.

 

Reinava em toda parte e teve mais amores

que se pode dizer. Em cada região

fazia-se presente: anunciava as flores,

e era deusa na guerra e na navegação.

 

Entre espartanos era a chama da peleja.

Também era a vingança em certas situações

e, em seu pleno favor, há mesmo quem a veja,

com suas cortesãs, ser deusa das paixões...

JO®GE  DAS  NEVES

 

MARTE –  ARES

 o arquétipo grego e o romano

 

Ares, na Grécia, representa Marte,

o deus romano, o Bravo! Em toda parte,

o mito grego, em audazes aventuras,

se fazia seguir por escudeiros

e, por vezes, com golpes traiçoeiros

alimentava muitas sepulturas.

 

Éris, Fobos e Deimos, seus sequazes,

formavam grupo de cruéis rapazes

afeitos a tolices sem tamanho.

Atená o venceu com uma pedrada:

caiu por terra com a vencida espada

e espantou, com seu grito, o próprio vento!

 

Certa vez, envolveu-se com Afrodite,

seduzindo-a, de pronto, num convite

para te-la na ausência do marido.

Envolveram-se loucos de paixão,

sem perceber que aquela traição

criaria o desfecho mais temido.

Aléctrion, que os guardava, sentiu sono

e, largando seu posto no abandono,

deixou que o esposo Hefesto, aparelhado,

numa rede, prendesse os dois amantes,

expondo-os ao sarcasmo dos passantes.

ALÉCTRION foi em galo transformado... *

 

Por isso, manda o mito e a tradição

que o galo cante por obrigação

de despertar quem dorme além da conta,

que nunca mais vacile no cuidado,

para que o “Marte” em nós seja acordado,

exatamente quando o sol desponta!

 

Mas, em Roma, era Marte o respeitado

filho de Júpiter e Juno. Honrado,

o deus da guerra e da fertilidade

mostrava o outro lado da questão:

a parte positiva da “agressão”,

o ímpeto que conduz à novidade.

 

Tinha as honras civis e militares,

sacerdotes e múltiplos altares,

onde os sálios, de púrpura vestidos,

nos seus templos de mármore vistosos,

conduziam os cultos majestosos

e lhe faziam bélicos pedidos.

 

Havia, em Roma, fonte venerada,

a Marte especialmente consagrada,

onde Neto banhou-se, no desdém

pelas antigas crenças populares,

e, por isso, se diz que seus azares

do sacrilégio foram muito além...

JO®GE  DAS  NEVES

 

* Daí ALECTOROMANCIA

“antiga arte de advinhar por meio de um galo

que ia comendo os grãos de milho colocados

sobre as letras que iam formando as palavras”

Dic. AURÉLIO

ÚRANO (Céu) – o arquétipo de URANO (o planeta) *

 

ÚRANO – que era o Céu – cobria a Terra – Geia,

em literal sentido e para ter-se a idéia

da condição de macho, enquanto a fêmea ardia.

Exacerbado, pai que tantos filhos faz,

os devolvia à mãe, logo ao nascer, capaz

de seu trono perder, sendo o que mais temia...

 

Exausta, a deusa-mãe que tantos filhos tinha,

ao encontro da paz, decidida, caminha

e pede aos filhos fim da constante opressão.

Eis recusa geral! Achavam que o marido

- esse potente pai – não seria vencido,

destronado sequer naquela situação.

 

Somente o filho Crono – o caçula Titã –

desafio aceitou, pensando no amanhã

quando seria o rei. E, assim pensando, agiu

recebendo da mãe todo o consentimento

e recebeu também um sagrado instrumento

para vencer o pai, que a todos atingiu.

 

Arquitetou o plano e dez sua emboscada,

decidida e feroz, de forma inusitada:

quando “ávido de amor”, o Céu cobriu a Terra

nas delícias da noite, aconteceu o fato

cuja façanha atroz, por força do relato,

fez ÚRANO ficar inútil para a guerra:

 

os testículos Crono os cortou do pai, deus

feito agora “ocioso” e sem poderes seus.

E conta a lenda, então, que o sangue da ferida

derramou-se na Terra e produziu Gigantes,

Melíades, também Erínias alarmantes,

que afetam a razão e até a própria vida;

 

ao passo que o esperma, a semente exemplar,

lançou-se como um dom sobre as águas do mar,

para mostrar que a vida é bela e apreciada.

Uma deusa surgiu das águas e, portanto,

nasceu da vida a luz, a mágica, o encanto,

pois nasceu Afrodite em plena espumarada...

 

* ÚRANO (palavra proparoxítona)

 refere-se ao deus (é o arquétipo)

ao passo que  URANO (palavra paroxítona)

 refere-se ao planeta.

Essa diferenciação ortográfica e ortofônica

é estabelecida pelo Prof. JUNITO BRANDÃO

 em Vol.II de seu Dicionário Mítico-Etimológico

citado na bibliografia deste livro.

 

CRONO – arquétipo do planeta SATURNO

 

Cronos era o mitológico Saturno

em Roma, o próprio Tempo, deus soturno

a manejar os fatos desta vida,

insaciável, tudo devorando,

brandindo a foice, para ter comando

na disciplina e lei a ser cumprida.

 

Os seres, os momentos, os destinos

expostos aos ditames saturninos

vão no rigor de ÚRANO ! Por nada?...

Mais jovem filho de ÚRANO e de Geia,

também titã, promove uma epopéia

ao decidir com força redobrada.

 

Foi ele quem venceu, por castração,

o pai, no acordo feito com o irmão

- o primogênito Titã – reinando

em seu lugar. Casou com Réia e, assim,

aos filhos, um a um, foi dando fim,

avidamente a todos devorando,

 

porque Titã obteve-lhe a promessa

de promover os fatos bem depressa,

para que um filho dele fosse rei.

Acontece que Réia, diligente,

conseguiu sua prole plenamente

salvar, seguindo sua própria lei...

 

A alegoria aqui é transparente

e vem mostrar, de modo concludente,

que o Tempo é quem devora e nos consome.

Por isso veio Zeus, com seu talento,

promover o sagrado salvamento

dos irmãos e compor o seu renome.

 

Foi Júpiter (ou Zeus) que destronou

o pai Saturno. E tudo assim ficou

exatamente como no passado

que o tempo repetiu. Com cada irmão,

o deus Netuno, e assim com deus Plutão,

o Olimpo foi por Zeus reformulado.

 

Mas, vejamos o mito de outro plano:

não mais Saturno o ríspido tirano

e, sim, o Velho Sábio que nos forma

arquétipo de pai, que nos educa,

que nos embasa, ensina e até machuca,

para que o filho compreenda a norma...

 

 

Destronado por Zeus. na conclusão

dos fatos, Crono deu-nos a lição

que as saturnálias logo vão mostrar

no culto mais perfeito de igualdade,

em condições de paz e liberdade,

de tranqüilo viver e bem-estar.

 

E Saturno propõe um desafio

a ser cumprido para termos brio,

com sentimentos firmes, integrais,

valores próprios, ampla solidez,

para que tudo em nós, nessa altivez,

consolidemos, sem perder jamais.

 

JO®GE DAS NEVES

 

POSÍDON – arquétipo do planeta Netuno

Com a vitória de Zeus sobre os Titãs,

de Posídon cresceram os afãs

ao receber dos mares o reinado.

Vagas e tempestades ele ajusta

com seu tridente! Lépida e augusta,

a onda que move é cântico sagrado.

 

Filho de Crono e Réia, no começo

foi deus das águas doces. Pelo apreço

que demonstrava pela natureza,

cuidava das nascentes e das fontes,

dos lagos e ribeiros. Horizontes

se alargam em múltiplas riquezas.

 

Salvador de navios e também

domador de cavalos, que ninguém

se olvide dos presentes especiais

com que agraciava seus amigos.

Há fatos importantes, muito antigos,

lendas que não se perdem nunca mais.

 

Pégaso, por exemplo, foi doado

ao tal Belerofonte. Era tomado

por filho de Posídon e Medusa

e, por ter asas da imaginação,

certamente esse mito tem função

na inspiração e trânsito com a musa.

 

Por outro enfoque, Pégaso, cavalo

alado, vamos ter como encontra-lo

na lenda mitológica da fonte

Hipocrene, citada por Camões.

Pois falemos, então, das dimensões

e ação final do herói Belerofonte.

 

Foi cavalgando Pégaso, em Patera,

que ele matou a lúgubre Quimera,

aquele monstro horrendo, simbolismo

das mais perversas, loucas fantasias,

de tantas cruciais desarmonias

de nosso inconsciente, em seu abismo...

 

Aí produz Posídon, ligações

com nosso interior, deformações

que é preciso vencer numa batalha

com esses monstros internos e daninhos,

que se escondem nos nossos escaninhos,

para vencer-nos na primeira falha.

 

Os próprios filhos de Posídon tem

na sua maioria, um mito além,

de conseqüências duras e frustrantes,

pois dos seus ilegítimos amores

não nasceram heróis nem benfeitores,

mas violentos e tétricos gigantes!

 

JO®GE DAS NEVES

 

 

HADES – arquétipo do planeta  Plutão

 

Hades, na Grécia, foi Plutão em Roma,

aquele que transforma e nos diploma.

Terceiro filho de Saturno e Réia,

do ventre desse pai fora arrancado,

conforme, um dia, já nos foi contado

ou, pelo menos, já se tem idéia.

 

O reino dos Infernos recebera

em partilha, mas nunca lhe ocorrera

o encanto ou a paixão de uma beldade,

porque no império de tristeza e dor

nenhuma deusa lhe acenava amor,

temendo sua grande fealdade.

 

Perséfone, por isso, quis raptar

para faze-la esposa, ser seu par.

Os seus súditos eram sombras frias,

ceifados pela morte, destruídos,

privados da vontade e dos sentidos,

almas penadas, lúgubres, vazias.

 

Dessas almas chegavam grandes levas,

vítimas envolvidas pelas trevas,

vencidas, torturadas sem perdão.

Os sacrificadores sem piedade

exerciam severa autoridade

imolando condenados de Plutão.

 

Ele nos deixa pouca escolha em vida:

é mudar ou morrer... Outra saída

não existe no decidir plutônico!

Também Eresquigal, com seu poder,

sem os dar o direito de escolher,

atua nesse vasto império ctônio.

 

Por outro lado, somos consolados:

ele é deus dos tesouros enterrados,

de uma oculta e sutil prosperidade,

que se pode encontrar sem fantasia.

Vai depender de uma sabedoria,

de uma transformação com lealdade.

 

De seu trono de enxofre, o deus Plutão

examina os mortais com seu bastão,

e os sacerdotes seus, os mais cruéis,

já se preparam para o sacrifício

e, sem qualquer perdão ou artifício,

vão massacrando os ímpios infiéis.

 

Mas vencendo nas crises e nas dores,

e limpando os porões interiores,

teremos as benesses de Plutão,

que, nos impondo julgamento e prova,

ressuscita, recria e nos renova,

mostrando-nos a própria salvação!

 

P A R T E  I I

 

ORIGEM DO MUNDO –introdutório

 

No começo, reinava o Caos, o soberano

das brumas do passado, o deus da solidão

do seu mundo vazio.

Nem sol, nem luz, nem céu, nem terra... O desengano

entristecia o deus naquela imensidão,

e fez-se um desafio.

 

Decidiu, pois, criar a deusa Terra, cheia

de vida e de alegria. Era uma deusa linda

especialmente bela!

Nosso mundo nasceu assim. Como uma teia

surgiu, na imensidão, uma labuta infinda

em cores de aquarela.

 

Mas Caos também criou o Tártaro e a sua

noite sombria. O alegre e radiante dia

veio, depois, brilhar

para mostrar que a obra inteira continua

pois, se o Tártaro espanta e traz melancolia

era bom compensar...

 

Na formação do mundo iniciou-se a vez

da Mãe-Terra. Ela fez surgir algo bonito

para enfeitar a vida

ainda mais, mostrando a bela placidez

das montanhas, do mar e do azul infinito

que nos céu consolida.

 

Deuses, que fez nascer, tomaram novo rumo.

Tanta coisa surgiu do vazio e do nada,

nesse pleno apogeu,

que não se pode ter simplesmente um resumo,

uma história pequena. Enfim, numa jornada,

deus ÚRANO * nasceu!

 

JO®GE DAS NEVES

 

* Úrano, o deus

Urano, o planeta

segundo Prof Junito Brandão

(ver Dicionário citado na bibliografia)

 

 

 

APELO AO SER HUMANO

Nada em excesso

(inscrição no Templo de Apolo, em Delfos)

 

Ó ser humano, avança e segue teu caminho

entre os deuses e, em paz, procura as soluções

porque os problemas há! Remove cada espinho,

afasta a pedra, esfria e planta as emoções.

 

Acende a tua luz bem alto na montanha

e dize a tua prece e glorifica o dia:

assim, em tua vida, expande-se a façanha

de conduzir o mundo ao Céu que se anuncia.

 

Relampeja teu verbo e põe honestidade

em toda a amplidão das horas desta vida

que vencedor será por toda a eternidade,

desfrutando da Glória e Paz, por merecida.

 

JO®GE DAS NEVES

 

TERRA – * nossa realidade *

A TERRA é nosso mundo mais real,

onde a vida prossegue concentrada

na vibração mais densa e mais brutal,

entre os outros planetas alinhada.

 

Está sempre na exata oposição

do Sol, por Signo e pelo mesmo grau,

girando na maior demonstração

de que o mundo não deve ser tão mau.

 

Nossa missão na vida representa,

na regência da Terra, em teoria

que certo grupo estuda e acalenta

para tornar mais ampla a Astrologia.

 

JO®GE DAS NEVES

 

 

SOL   ASTROLÓGICO – * nosso SER INTERIOR *

 

Nossa Estrela pessoal na Terra, o sol domina

iluminando a casa astral em que rebrilha,

atua sobre o corpo e a mente e nos ensina,

com seu potencial, na escolha de uma trilha.

 

Eis o Senhor da Luz em nosso mapa, forte

por ser primordial no signo em que está,

princípio, meio e fim, também nosso suporte

pois, sem brilho do Sol, espírito não há.

 

Integrá-lo é um passo especialmente sério,

que precisamos dar em plena comunhão,

definitivo passo ao cósmico mistério

de toda nossa vida e nossa evolução.

 

JO®GE DAS NEVES

 

LUA  ASTROLÓGICA – * nossas emoções *

O desígnio do Sol e sua luz, a Lua

reflete sobre a Terra e simboliza o enlace,

mostrando, a cada instante e hora, como atua,

através da emoção profunda, a sua face.

 

De pronto, esse padrão lunar se evidencia

quando a criança nasce, e imprime os fundamentos

dessa mãe que a gerou. Por isso a terapia

vai buscar, nessa Lua, os fundos sentimentos.

 

O ideal é buscar, nessa polaridade,

de nossa Lua e Sol o estado de harmonia,

fazendo a integração e a vã felicidade

tornarem-se reais no nosso dia-a-dia.

 

JO®GE DAS NEVES

 

 

 

 

MERCÚRIO ASTROLÓGICO – * movimento e informação *

 

Mercúrio é comunicação ligeira,

telepática, extrovertida, plena,

mente ligada ao racional, matreira,

o mensageiro que não sai de cena,

 

pois concilia a extroversão que vemos

em Gêmeos, com a introversão que mora

em Virgem e, na dupla dos extremos,

sua energia cresce e se incorpora.

 

Sendo um planeta neutro, seu estilo

é tomar conta das aspectações

com outro planeta, realizando aquilo

que se converte nas informações.

 

JO®GE DAS NEVES

 

VÊNUS ASTROLÓGICO – * harmonia *

 

Quem amanhece belo e faz o entardecer?

É Vênus, o planeta, a Estrela d’Alva, a Luz

do encanto feminino, a alma e o prazer,

a máxima afeição, a voz que nos seduz.

 

Ele faz transbordar os dons interiores

de cálida envolvência em Libra, como em Touro,

sensual diplomacia, eróticos amores,

a graça e a harmonia expressas num tesouro.

 

No mapa, ele harmoniza as energias, dando

uma forma melhor de relacionamento,

mas, se ligado à Marte, é a paixão queimando,

nem sempre realizada em doce casamento.

 

JO®GE DAS NEVES

 

MARTE ASTROLÓGICO – * o ego *

 

Certa agressividade expressa em Marte

é a direção do desenvolvimento

e, perde-la, seria a triste parte

no bloqueio do próprio crescimento.

 

Essa agressividade positiva

- já programada no inconsciente –

saberá o momento em que se ativa,

porque o darma, em seu ímpeto latente,

 

com Marte funciona (como vemos)

como um agente ativo em nossa vida,

que se precisa ter sem os extremos

de uma força fatal ou sem saída.

 

JO®GE DAS NEVES

 

JÚPITER ASTROLÓGICO - * expansão *

Toda a energia básica de Marte

necessita de Júpiter – qual ponte –

para expandir-se e ter a sua parte

concluída em Saturno. No horizonte

 

de integração de forças e energias,

é Júpiter que deve estar presente,

com seus expansionismos e alegrias,

nos ciclos que produz no inconsciente.

 

A fé e a intelectualidade

estão expressas pelas energias

desse planeta da fidelidade

às abundâncias e filosofias.

 

Regendo Sagitário e a Nona Casa,

potencialmente o temos ao dispor,

porque, no mapa, é Júpiter que embasa

os “milagres” que opera, benfeitor.

 

JO®GE DAS NEVES

 

SATURNO ASTROLÓGICO - * tempo e limite *

 

No umbral do tempo e da perseverança

Saturno – com belíssimos anéis –

estrutura a razão e a segurança

para que os seres cumpram seus papéis.

 

No limite da vida sobre a Terra

- que na pela do corpo vem mostrado –

o giro do planeta é que descerra

o protocolo há tempos programado...

 

Viver Saturno com sabedoria,

no cerimonial da persistência,

é conduzir, com regra, essa energia

que se confirma pela experiência.

 

JO®GE DAS NEVES

 

URANO ASTROLÓGICO -  * modernidade *

Urano traz proposta de progresso

enquanto a mente cria outros padrões

de uma viagem que não tem regresso

na novidade das transformações,

 

Ciclos uranianos, geralmente

como “crises” da vida interpretados,

são meras reações do consciente,

diante dos padrões modificados.

 

Há um maior reclamo de ousadia,

revisão do presente e do passado,

da criatividade que dormia

no ser extremamente acomodado,

 

que o coletivo clama liberdade,

independência e humanitarismo,

e uma espantosa universalidade

direciona seu inconformismo.

 

JO®GE DAS NEVES

 

NETUNO ASTROLÓGICO - * imaginação *

 

Regendo Peixes, é compreensão,

é silêncio profundo, interior,

e Netuno nos traz a sedução,

o carisma dos sonhos e do Amor.

 

Sua expressão transborda o inconsciente

na solidão da personalidade

quando a empatia faz-se mais presente

pela sagrada Fé que nos invade.

 

A subjetividade refinada

vive nas brumas e nos rituais,

e Netuno anuncia uma alvorada

no plano dos talentos ideais.

 

Mas excessos precisa controlar

quem seu Netuno traz proeminente

porque escapismo ele pode dar

e nos tirar os méritos crescentes.

 

JO®GE DAS NEVES

 

PLUTÃO ASTROLÓGICO - * transformação *

 

Desejo intenso e insatisfação

gerando apego e gosto de vazio

viabiliza o toque de Plutão

como um castigo pelo desafio.

 

Transforma esse planeta os sentimentos

com as energias e o poder que tem,

quando se alcança, os entendimentos,

é que a vida floresce e nos faz bem.

 

A força dominante de Plutão

vem coroar a generosidade,

pois sendo a morte, nele, uma ilusão,

se descortina uma felicidade

 

que macabras heranças ancestrais

transfiguram... A transição se faz

das teorias falsas e banais

quando o martírio cessa e vem a paz!

 

JO®GE DAS NEVES

 

P A R T E  I I I

 

CONSTELAÇÃO DO ARQUEIRO SOLITÁRIO

 

Sendo imortal, Quirão - o rejeitado –

­sobreviveu, cresceu, foi educado

por ApoIo nas artes e ciências

e revelou talentos.

Conhecia as virtudes curativas

das plantas. Suas mãos persuasivas

curavam, superavam resistências

de dor e sofrimentos.

 

Eis que um dia feriu-se gravemente

em sua parte animal, pois, de repente,

o atingiu uma seta envenenada.

Como sofria o deus!

Outros curava sempre, com talento,

mas não vencia o próprio sofrimento,

não curava a ferida desalmada,

nem os tormentos seus.

 

Renunciar à imortalidade

revelava, de fato, uma vontade

de pôr um fim na dor dilacerante.

Então aconteceu

que se propôs a troca de Quirão

- em seu processo de preparação –

­por um mortal, já quase agonizante,

chamado Prometeu.

 

Esse mortal cedera-lhe o direito

à morte, e quando Zeus o viu aceito,

avaliou o mérito da ação

de um deus extraordinário.

Nesse momento decidiu-lhe a sorte

e, compensando o trânsito da morte,

deu-lhe o descanso na constelação

do Arqueiro Sagitário!

 

JO®GE DAS NEVES

 

 

P A R T E   I V

 

Epílogo Plutoniano

TROMBETAS DA VERDADE

 

Os tempos são chegados, e PLUTÃO

remove das entranhas, lá do fundo

a podridão oculta neste mundo

em sua hipocrisia. Já estão

 

ressoando as trombetas da Verdade,

fazendo ruir os falsos muros,

destronando a iníqua autoridade

que naufraga em ridículos apuros.

O “ complexo de Zeus ” cairá por terra *

e as trevas nunca mais seduzirão

e nunca mais os homens farão guerra

em nome do dinheiro ou pelo ...chão!

 

O ciclo que termina abre o de Luz,

que outro mundo virão nas mãos do povo,

e ninguém mais há de morrer na cruz

neste planeta, nesse mundo novo !

·        Denomina-se complexo de Zeus

a arrogância das pessoas

que se colocam como deus dos deuses

JO®GE DAS NEVES

Poema publicado na REVISTA da Academia de Letras dos Funcionários do Banco do Brasil / ANO I   nº 1  1994

OUTRO MUNDO VIRÁ

A amanhecer será a noite que já foi,

os pássaros cantando, apascentado o boi

na certeza do sol. As árvores e  o frutos,

peixes de rio e mar, no brilho dos minutos,

hão de nascer, crescer e alimentar os seres,

que sobre a Terra o Amor e Paz serão prazeres

dimensionados, pois, por todos os lugares.

E livres voarão passarinhos. Nos lares

as flores vão-se abrir, felizes as crianças

a sorrir, a crescer, a plantar esperanças...

 

E um novo amanhecer será depois da morte

da noite que ceifar o injusto e sua sorte

sobre os destino atroz dos seres massacrados.

E quem viver verá renascerem os prados

das cinzas que a ambição espalha sobre a Terra

dos escombros fatais dos tormentos da guerra.

E quanto mais viver, e quanto mais amar,

dourado seja o sol e mais límpido o luar

para  os homens do Bem, porque este mundo imenso

só carece de Amor, de Paz e de bom senso.

 

JO®GE DAS NEVES

Poema classificado em 1º lugar no 1º Concurso “ Onestaldo Pennafort ”

de Poesias, em Brasília (DF) a 26/out/1984. Em destaque o poema

foi publicado em ANTOLOGIA sob  patrocínio da

FENABB – Federação Nacional de Associações Atléticas Banco do Brasil.

Nesse concurso o vencedor representou a AABB-Rio

 

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P A R T E   V

GLOSSÁRIO DA MITOLOGIA APLICADA

em

“ Deuses e Planetas – na síntese do verso ”

 

MITOLOGIA aplicada neste livro

 conforme ortografia registrada

no Dicionário Mítico-Etmológico

do Professor Junito Brandão (Ed.Vozes)

 

AFRODITE

Nome grego de (VÊNUS, representando também Astarté, a deusa semítica da fecundidade e das águas fecundantes. Era casada com Hefesto (Vulcano). Teve inúmeros amores (Adônis, Hermes, Dioniso, o próprio Zeus, do qual - segundo uma variante - gerou Priapo. Quando se tratava de satisfazer a seus caprichos ou a vingar-se de uma ofensa, AFRODITE fazia do amor uma arma e um veneno mortal. Desde o nascimento até suas características e mitos mais importantes, AFRODITE nos aponta para a Ásia. Trata-se de uma deusa tipicamente oriental que nunca se encaixou bem no mito grego, parecendo "uma estranha no ninho", como observa o Prof. ]unito Brandão. (Ver VÊNU5 e ISHTAR-ASTARTÉ). 

ALÉCTRION

Fora encarregado por Ares (Marte) de avisá-lo da aproximação da "luz do dia" (Sol, Hélio - conhecedor profundo das mazelas deste mundo), para evitar que Hefesto (Vulcano), o esposo de Afrodite (Vênus) os surpreendesse fazendo amor. Foram surpreendidos porque ALCTRION pegou no sono.

AMALTÉIA

Nos mitos mais antigos, é a cabra miraculosa que aleitou Zeus. Algumas versões a consideram Lima ninfa. Ver ZEUS.

APOLO

Filho de Zeus (Júpiter) e da "divindade" oriental Leto (nome grego de Latona). Como deus da luz, cabia­-he proteger os campos, os navegantes, os artistas e os médicos. De todos os seus templos, o mais célebre es­tava situado no Monte Parnaso, onde se localiza o Orá­culo de Delfos. Fugindo ao violento ciúme de Hera, que proibiu a Terra de acolher a parturiente, Leto deu à luz os gêmeos APOLO (o Sol) e ÁRTEMIS (a Lua) em Ortí­gia, uma ilha estéril e flutuante, não fixada em parte al­guma, escapando, assim, àquela proibição. Mais tarde, agradecido por essa acolhida, APOLO a fixou no Centro do mundo grego, no Mar Egeu, mudando-lhe o nome para Delos (a luminosa, a brilhante). APOLO pertence à segunda geração dos deuses Olímpicos e, com a evolu­ção da astronomia grega, que verificou ser bem mais longo o roteiro do Sol através da abóbada celeste, con­seguiu, por completo, suplantar a Hélio, o "Sol" propri­amente dito.

ARES

Nome grego de MARTE, deus da guerra, filho de ZEUS (Júpiter) e de HERA (Juno). Era dotado de coragem cega e brutal. Fazia-se acompanhar de ÉRIS,(a Discór­dia), DEIMOS (o Terror) e FOBOS (o medo), estes dois últimos eram filhos que tivera com Afrodite (Vênus), que possuía um lado vingativo. ARES perseguia deusas, ninfas e mortais, e quando estas o rejeitavam, violentava-as brutalmente.

ARQUÉTIPO

Segundo C. G. Jung, é um conjunto de imagens psíquicas do inconsciente coletivo, consideradas patrimônio comum a toda a humanidade. É também um modelo de seres criados.

ÁRTEMIS

Nome grego de DIANA, uma das doze divindades do OIimpo. Filha de Zeus e da "divindade" oriental Leto, é irmã gêmea de Apoio (ver). Nasceu antes deste e ajudou a mãe a concluir os trabalhos de parto. Naqueles instantes, horrorizou-se de tal maneira, diante do sofrimento de Leto que pediu a seu pai Zeus o privilégio de permanecer virgem para sem­pre. Faz parte do mito da Lua, como deusa triforme (dea triformjs). Corresponde, mais ou menos, à LUA-CHEIA. Ver HÉCATE e SELENE.

ATENÁ

Nome grego de Minerva, uma das doze divindades do Olimpo. Filha de Zeus (Júpiter) e Métis (ver), já nasceu investida de armadura e capacete, emitindo um ressoante grito de guerra. Dotada de inteligência e sabedoria, ATENÁ tomou-se conselheira dos deuses, aju­dando-os, particularmente, a vencer os Gigantes. Como deusa guerreira, o que mais lhe interessava não era a batalha sangrenta - como no caso de Ares (Marte) - mas propriamente a arte bélica, de golpes executados com maestria, demonstrando coragem inspirada sempre por um ideal.

BACO

Nome latino de DIONISO. Ver também SÊMELE.

BELEROFONTO

Tido como filho de Glauco e de Eurímede ou Eurínome, encontrou Pégaso bebendo na fonte de Pirene, o qual, por sua vez, com urna só patada, fez brotar Hipocrene, a "fonte do cavalo". Cavalgando Péga­so, matou a Quimera (ver).

BRIARÉU

Um dos HECATONQUIROS. Sua extraordi­nária força tornava-o temível aos próprios deuses. Aliou-se a estes na luta contra os Titãs, contribuindo podero­samente para a vitória dos olímpicos. Recebeu de Zeus a guarda dos Infernos.

CADUCEU

Vara mágica que Apoio deu a Mercúrio (Hermes) em troca da lira de sete cordas, que este havia inventado. O caduceu figura entre os atributos de Mercúrio. É o emblema da paz, da prosperidade e do comércio; com ele, esse deus faz cessar os ventos e conduz as almas nos Infernos (ver PSICOPOMPO).

CAOS

Espaço aberto, matéria rude e informe, à espera de ser organizada, onde se encontram os princípios de todas as coisas. Nesse espaço surgiu a Terra.

CÁRITES

Nome grego das GRAÇAS.

CENTAUROS

Seres monstruosos, meio homens e meio cavalos. Segundo uma das versões, nasceram dos amores de lxíon e de uma nuvem, à qual Zeus tinha dado a forma de Gera (sua esposa), que aquele tentara violentar. Dois Centauros (Folo e Quirão), entretanto, não descendiam do criminoso Ixíon.

CERES

Divindade latina da vegetação e da terra. Adquiriu maior importância quando foi assimilada a DEMÉTER, deusa grega.

CÉU

Originário do latim CAELUM - que se usa no masculino para indicar personificação, pois o substantivo comum é neutro, CAELUM - não é um deus romano, mas simples tradução, para o latim, do nome do deus grego ÚRANO.

CIBELE

Deusa da Frígia, com o nome RÉIA na mitologia grega, freqüentemente chamada a MÃE DOS DEU­SES ou Grande Mãe. Seu poder estende-se a toda a na­tureza, cuma potência vegetativa personifica. Ver RÉIA.

CICLOPES

Seres gigantescos e com um só olho no meio da testa. Distinguem-se três espécies de Ciclopes: Urânios (filhos de Úrano e Géia), a saber: BRONTES, ESTÉROPE ou Astérope e ARGES; os Sicilianos e os Construtores. Ver também o verbete TÁRTARO, neste glossário.

CORE

Ver PERSÉFONE (Prosérpina)

CORNUCÓPIA

Também chamado CORNO DE AMAL­TÉIA ou CORNO DA ABUNDÂNCIA. É um dos atributos da deusa FORTUNA. Ver também TIQUE. ACORNUCÓ­PIA simbolicamente proporciona a profusão gratuita dos dons divinos.

CRONO

Nome grego de SATURNO. Filho de Úrano e Géia, é o mais jovem dos Titãs. Como um oráculo lhe ti­vesse predito que seria destronado por um dos filhos, ele os devorava a medida em que nasciam. Quanto a seu pai ÚRANO, tão logo nasciam os filhos, ele os de­volvia ao seio materno, temendo por eles ser destronado. Decidiu Géia, então, Iibertá-Ios e pediu aos filhos que a vingassem e afastassem o esposo. Todos os filhos se recusaram, exceto CRONO, o caçula, que odiava o pai. GÉIA entregou-lhe uma foice (instrumento sagrado que corta as sementes), e quando ÚRANO foi possuí-la, CRONO o castrou. Ver SATURNO e SATURNÁUAS.

CRÕNIO

Qualificativo dos deuses que residem nas profundezas da Terra. Adjetivo concernente ao culto desses deuses. Também diz-se CTÔNIO ou CTONIANO.

DEMÉTER

Filha de Crono (Cronos) e de Réia (Cibele) é a deusa maternal da Terra, ou seja, é a divindade da terra cultivada. Ver CERES e GÉGIA.

DIANA

Nome latino de ÁRTEMIS (ver).

DIONISO

Nome grego de BACO, era um deus essenc­ialmente da videira, do vinho, do delírio místico e do teatro. Seu mito é complexo, porque é formado de elementos por vezes dispares, provindos de locais diversos, sobretudo da Ásia Menor. Ver SÊMELE.

ERESQUIGAL

Na mitologia sumeriana, era a terrível deusa do inferno. Seu nome significa "Senhora da Gran­de Região Inferior", simbolizando rancor vingativo por mágoas que nem sequer sabíamos que tínhamos.

ERÍNIAS

Nome grego das FÚRIAS, que eram divinda­des do mundo infernal: ALETO (a incessante, a implacável), TISÍFONE (a vingadora do crime) e MEGERA (a que inveja, a que tem aversão por).

EUMÊNIDES

O mesmo que ERÍNIAS, defensoras do di­reito e vingadoras do assassinato de parentes. As Erínias passaram a chamar-se EUMÊNIDES, "as damas gentis", após o voto de Minerva (nome grego de Atiná) no jul­gamento de Orestes.

FEBO

Epíteto de APOLO, significando "O Brilhante". Freqüentemente, entre os latinos, aparece como o próprio nome do deus, dispensando a adjunção de APOLO. Ver também HÉLIO.

FILlRA

Oceânida, de cuja união com Saturno (Crono), nasceu o Centauro QUlRÃO.

FORTUNA

Entre os romanos, divindade alegórica que designava o acaso. Presidia a todos os acontecimentos, distribuindo, segundo sua cega vontade, os bens e os males.Ver TIQUE.

FÚRIAS

Identificam-se às ERINIAS gregas. São deusas violentas, que encarnam forças primitivas, que não reconhecem a autoridade dos deuses olímpicos. O próprio Júpiter (Zeus) a elas não se contrapõe.

GÉlA

Tem o mesmo sentido de GAlA, significando "TERRA" por oposição a Céu. No mito, é a TERRA conce­bida como elemento primordial e deusa cósmica. Ver MÉTER.

GRAÇAS

Em grego, CÁRITES, as três filhas de Zeus (Júpiter) e Eurínome ou de Hera (Juno) que personificam a beleza e o encanto: AGLAIA, EUFRÓSINA e TA­LIA (ver TALlA).

HADES

Nome grego de PLUTÃO, também designando o REINO DOS MORTOS. Por significar, em etimologia popular, o INVISÍVEL, o nome HADES  é raramente profe­rido. Dizia-se, em grego, Plúton, “O Rico". Como divin­dade agrícola, seu culto se associava ao de Ceres (Deméter). Juntamente com a deusa, era celebrado nos mistérios de Elêusis (ritos comemorativos da fertilidade, das colheitas e das estações). Era venerado sob vários epitétos," que procuravam destacar seus aspectos mais favoráveis aos mortais: EUBULEU, o "Benevolente"; POLlDECTES, "o que recebe muitas almas, o rico em se­mentes". Ofereciam-lhe, em sacrifício, carneiros ou ca­bras negras. Ver PLUTÃO.

HÉCATE

faz parte do mito da Lua, como deusa triforme (dea triformais). Deusa ctônia, tem a ver com o mito de LlLlTH ou LUA NEGRA. Descendente dos Titãs, é a deusa dos mortos, não como Perséfone, mas como di­vindade que preside às aparições de fantasmas e se­nhora dos malefícios. A grande mágica de suas aparições noturnas simbolizaria o inconsciente onde se agi­tam monstros, espectros e fantasmas. Corresponde, mais ou menos, ao Quarto-Minguante e à Lua-nova. Ver ÁRTEMIS e SELENE.

HECATONQUIROS

Gigantes fortíssimos e monstruosos com cem braços e cinqüenta cabeças. Chamavam-se COTO, GIAS (Gies) ou GIGES, EGÉON ou BRIARÉU.

HEFESTO

Nome grego de VULCANO, filho de Zeus (Júpiter) e de Hera (Juno). Uma das versões diz que já nasceu coxo e deformado. Fora, entretanto, genial e uma de suas obras-primas foi a "criação" da primeira mulher, por solicitação do pai. Assim, criou Pandora, com a cooperação de muitos de seus irmãos imortais, para torná-la ideal e irresistível. O coxo da ilha de Lemnos, era chamado "deus dos nós" e "deus ferreiro". Tinha suas forjas no monte Etna, na Sicília. Segundo ou­tra versão, HEFESTO fora rejeitado por sua mãe Hera que, por considerá-lo demasiadamente feio, o atirou das alturas do Olimpo, pouco depois de seu nascimento. Em conseqüência desse tombo, ficou aleijado de uma das pernas. Como genial deus ferreiro, para vingar-se da mãe, resolveu prendê-la num trono de ouro que con­feccionara, especialmente para ela e que funcionava como armadilha. Recusou-se a Iibertá-Ia, a despeito de os deuses do Olimpo implorarem que entregasse a chave. Mais tarde consentiu, sob a condição de que lhe satisfizessem qualquer desejo que expressasse. Assim, pediu que lhe fosse entregue AFRODlTE como esposa, que se viu obrigada a consentir, diante das circunstâncias. A rejeição a que estava fadado prosseguiu, pois AFRODITE era notoriamente infiel e cruel. Corajoso, entretanto, continuou criando obras maravilhosas.

HÉLIO

Nome grego do SOL. Filho do titã Hiperíon e da titânida Tréia. Considerado, no mito grego, como o "olho do mundo", aquele que tudo vê. Com os progressos da astronomia grega, seu itinerário foi substituído pelo roteiro, bem mais longo, de Apolo, tornando-se uma divindade secundária. Ver APOLO e FEBO.

HERA

Nome grego de Juno, filha mais velha de Crono (Saturno) e de Réia (Cibele). A mais importante e pode­rosa de todas as deusas olímpicas. Como todas as suas irmãs e irmãos, exceto Zeus (Júpiter), foi engolida pelo pai, mas salva pelo embuste de Métis e lutas vitoriosas de seu futuro esposo, ou seja, o próprio Zeus.

HERMES

Nome grego de MERCÚRIO, filho de Zeus (Júpiter) e Maia. Logo após o nascimento, revelou ex­traordinária inteligência. É o mensageiro dos deuses, psicopompo, deus do comércio e dos ladrões, patrono dos esportistas, criador do pugilato e das carreiras atléticas. Ver HERMES e CADUCEU.

HORAS

Eram três filhas de Zeus (Júpiter) e Têmis (uma das Titânidas): EUNÓMIA, a Disciplina; DIQUE, a Justiça; e IRENE, a Paz, as quais guardavam as portas de entrada da mansão dos deuses. Não desempenham papel importante no mito.

ILÍADA

Ver ODISSÉIA.

IHSTAR-ASTARTÉ

Deusa semítica da fecundidade e das águas fecundantes, que, na mitologia grega, tomou a forma de AFRODITE. (Ver também VÊNUS).

JUNO

Nome latino de Hera, filha de Crono (Saturno) e Réia (Cibele). Reinou sobre o Olímpio como esposa de Zeus (Júpiter). Dessa união nasceram Marte (Ares), Vul­cano (Hefesto), Ilítia e Hebe. Gerou sozinha o monstro Tifão, vingando-se do esposo, que fez nascer Minerva (Atená), sem sua participação.

JÚPITER

Nome latino de ZEUS (ver).

LATONA

Nome grego de LETO (ver).

LETO

Nome grego de Latona. Filha do titã Ceos e ela titânida Febe, e uma das amantes ele Zeus, deste conce­beu gêmeos chamados Apolo (o Sol) e Ártemis (a Lua).

LILlTH

Correspondendo à deusa HÉCATE, na mitologia grega, é considerada memória arquetípica, predecessora de EVA. Suas origens ocultam-se num tempo anterior ao próprio tempo, sobrevoando as mitologias suméria, babilônia, assíria, cananéia, persa, hebraica, árabe e teu­tônica.

LUA

A LUA é personificada através dos mitos de ÁR­TEMIS, HÉCATE e SELENE, razão pela qual ela poderia denominar-se deusa triforme (DEA TRIFORMIS), em razão de seu próprio cunho cambiante. Em Éfeso, onde havia o mais célebre e grandioso santuário da Deusa-Lua, o culto de ÁRTÊMIS-DIANA confundia-se com o de uma deusa asiática da fecundidade. Segundo o desdobramento do mito, isso corresponderia, mais ou menos à LUA-CHEIA. Como HÉCATE (Lua Negra, Lilith), corresponderia ao Quarto-Minguante e à Lua-Nova. Des­dobrada em SELENE, corresponderia, mais ou menos à LUA-CHEIA.

LUA NEGRA

Ver HÉCATE, LUA e LILITH.

MARTE

Nome latino de ARES, filho de Júpiter (ZEUS) e Juno (HERA). Seu culto não foi muito difundido na Grécia. Já em Roma havia muitas festas em seu louvor, principalmente após cada batalha vitoriosa. Os sacerdotes do culto a MARTE denominavam-se SÁLIOS.

MELIADES

São ninfas dos freixos. Nasceram quando,após a mutilação praticada por Crono (Saturno), o sangue de Grana caiu na terra .

MERCURIO

Nome latino de Hermes, uma das nove divindades do Olimpo. Dentre seus amores, destacam-se: Vênus, com quem teve Hermafrodito; Herse, que seduziu e da qual nasceu Céfalo; Dríope, de quem nasceu Pã; Polimela, que deu à luz a Eudoro". Ver também HERMES e CADUCEU.

MÉTIS

Filha de Oceano e Tétis, é a personificação da PRUDÊNCIA, entre os romanos. Foi a primeira esposa (ou amante) de Zeus (Júpiter), a quem ofereceu a poção mágica graças à qual Crono (Saturno) foi compelido a devolver todos os filhos que havia engolido. Ver PRUDÊNCIA.

MINERVA

Nome latino de ATENÁ.

MITOLOGIA

História fabulosa dos deuses, semideuses e heróis da Antiguidade greco-romana. É também o conjunto dos mitos próprios de um povo, de uma civili­zação, de uma religião.

MOIRAS

Nome grego das PARCAS. São a personifica­ção do destino individual. Poderíamos chamá-las de QUERES, as quais, na época clássica, se converteram em reminiscências literárias e foram confundidas com as MOlRAS e as ERÍNIAS, pelo caráter ctônio e selvagem destas últimas.

MUSAS

São nove filhas de Zeus (Júpiter) e de Mne­mósina (uma das Titânidas), que presidem seus atribu­tos: CALÍOPE (Poesia Épica), CLIO (História), ÉRATO (Lírica Coral), EUTERPE (Música), MELPÔMENE (Tragédia), POLÍMNIA (Retórica), TALIA (Comédia), TERPSÍCORE (Dança), URÂNIA (Astronomia ). Ver TALIA.

NETUNO

Nome latino de POSÍDON, filho de Saturno (Crono) e Cibele (Réia). Consagravam-lhe o cavalo ­símbolo das fontes - e o touro - símbolo de seu poder fertilizador ou de sua impetuosidade. Ver OISÍDON e PÉGASO.

NINFAS

Divindades secundárias femininas, represen­tantes da força que preside a reprodução e a fecundidade da natureza vegetal e animal. Havia as Ninfas da água e as da terra.

OCEÂNIDAS

Nasceram da união de Oceano com sua irmã Tétis. Elas personificavam os riachos, as fontes e as nascentes.

OCEANO

Era o filho de Urano (Céu) e Géia (a Terra cosmogônica), é o mais velho dos Titãs, mas extrema­mente conciliador. Casou-se com Tétis, sua irmã, e teve milhares de filhos: três mil rios e três mil Oceânidas. Foi preterido por Posídon (Netuno) no reinado sobre os mares, quando os olímpicos destronaram os Titãs. Todavia, não perdeu completamente o poder. Era respeitado pelos deuses e homenageado pelos mortais quando compreendiam uma expedição perigosa.

ODlSSÉIA

Poema épico de HOMERO. Juntamente com ILlADA, constitui uma espécie de enciclopédia mito­lóglca, compreendendo a narração mítica dos acontecimentos, desde a origem do mundo até os feitos heróicos.

OLIMPO

Monte da Grécia (nos confins da Tessália) nsiderado a morada dos deuses e, particularmente, Zeus (Júpiter). Aos poucos tornou-se uma abstração, convertendo-se em "mansão celeste", onde habitavam os imortais.

ORÁCULO

palavra de múltiplo sentido, indicando, fundamentalmente, a resposta da divindade a uma cons­ulta formulada. Essa resposta se fazia pelos lábios de um sacerdote, pitonisa ou sibila (ver, adiante, PITONISA e SIGILA). Além disso, designava também os santuários a que acorriam os devotos para se consultarem. A busca do oráculo constituía uma prova de submissão do mor­tal aos desígnios divinos.

PARCAS

Nome latino das MOlRAS.

PÉGASO

Cavalo alado, passa por filho de Posídon (netuno) e de Medusa. Conta-se que Perseu, ao cortar a cabeça de Medusa, grávida de Posídon, viu nascer, do pescoço ensanguentado do monstro, PÉGASO e o gi­gante Criasor. Ver BELEROFONTE.

PERSÉFONE

Nome grego de PROSÉRPINA, filha de Zeus (Júpiter) e Deméter (Ceres). Também chamada CORE, "a Jovem". Foi raptada por seu tio Hades (Plutão). Quando Hélio (Sol) revelou o nome do raptor, Deméter deixou o Olimpo e negou-se a frutificar a terra. Ler so­bre o mito.

PlTONISA

Primitivamente esse nome designava a sa­cerdotisa de Apolo, em Delfos, tendo o mesmo signifi­cado PÍTIA. Com o tempo, passou a indicar todas as mulheres capazes de proferir oráculos ou advinhar o fu­turo. Ver SIBILA.

PLUTÃO

Nome latino de HADES. Ver esse nome. Filho de Saturno (Crono) e Cibele (Réia). Participou da luta contra o pai e os Titãs. Nessa ocasião, os Ciclopes arma­ram-no de um capacete mágico que o tornava invisível. Júpiter, Netuno e Plutão, vencidos os adversários, parti­lharam entre si o império do universo. Raramente esse deus ctônio interferia em assuntos terrestres olímpicos. Só deixou seu reino por duas vezes: para raptar Persé-

POSIDON

Nome grego de NETUNO, foi antigo deus ctônio antes de tor­nar-se um deus do mar. Nem sempre foi muito dócil à supe­rioridade e autoridade de seu irmão Zeus, tendo participa­do, com Hera (Juno) e Atená (Ninerva), de uma conspiração para destronar o senhor do Olimpo. Com seu tridente, rei­na em seu império líquido,à maneira de um "Zeus marinho". Ver NETUNO.

PROMETEU

Filho de Jápeto e Clímene ou Ásia. Como seus três irmãos (Epimeteu, Atlas e Menécio) pertence à raça dos Titãs. Como castigo por ter desafiado Zeus (Júpiter) foi por este acorrentado no cume do monte Cáucaso, onde uma águia lhe devorava o fígado. Após tudo o que fizera, Prometeu tornará-se mortal. Recuperou a imortalidade quando o centauro Quirão ofereceu-se para morrer em seu lugar.

PROSERPINA

Em Roma, era a deusa dos Infernos. Ver PERSEFONE e CORE.

PRUDÊNCIA

Nome latino da deusa grega METIS, que personifica a inteligência prática, por vezes a astúcia. Grávida, prestes a dar à luz uma filha de Zeus (Júpiter), este a engoliu, para evitar que, por sua vez, tivesse um filho que o des­tronaria. Na ocasião do parto, Hefesto -por ordem do próprio Zeus, fendeu-lhe a cabeça com uma machadada, daí sur­gindo Atená (Minerva), tendo esta, por sinal, permanecido virgem, evitando-se, assim a profecia. Ver METIS.

PSICOPOMPO

Na mitologia antiga, era o condutor das almas dos mortos. Exerciam essa função (uma espécie de médico legista nos dias de hoje): HERMES (MERCÓRIO), CARONTE, APOLO e ORFEU.

QUIMERA

No mito, é um monstro híbrido, com cabeça de leão, corpo de cabra e cauda de serpente. Filha de Tifão e de Equidna, vivia devastando a região de Patera e devorando os rebanhos. Cavalgando Pégaso, Belerofonte, de um só golpe, cortou as cabeças de Quimera.

QUIRÃO

E o nome do chamado Centauro Imortal, geralmente grafado com a forma QUÍRON, cuja denominação reservamos para o pequeno planeta. QUIRÃO nasceu da união de Crono (Satur­no},que se metamorfoseou em cavalo,com a oceânida Filira. Ver Centauros.

QUIRON

Ver QUIRÃO.

REIA

Nome grego de CIBELE, uma das titânidas. Filha de Órano e Géia, unindo-se ao irmão Crono {Saturno),foi mãe de seis filhos: Héstia (Vesta), Deméter (Ceres), Hera (Juno) Hades (Plutão), Posídon (Netuno) e Zeus (Júpiter).

SALIOS

Doze sacerdotes romanos, encarregados do culto a Marte. Na primavera, realizavam procissão ao Palatino (uma das sete colinas de Roma), dançando e entoando hinos religiosos.

SATURNALIAS

Festas em honra a SATURNO (Crono).Durante as celebrações, invertiam-se as posições sociais: os escravos davam ordens aos senhores, e estes serviam à mesa. SATURNO era representado munido de uma foice.

SATURNO

Nome latino de CRONO, filho de Órano (Céu) e Géia (deusa Terra). A pedido desta, mutilou o pai e ocupou seu lugar no trono do universo. Como um oráculo da Terra lhe tives­se dito que seria destronado por um de seus filhos, ele os devorava à medida que nasciam. Ver CRONO e SATURNÁLIAS.

SELENE

Nome grego, personificando a LUA. Filha do titã Hiperíon e da titânida Téia, segundo a mais seguida versão. Símbolo da fertilidade, notabilizou-se pela multiplicidade de seus amores. De Zeus, por exemplo, teve a filha Pandia, considerada a "totalmente divina". No mito, segundo o qual a Lua é uma deusa triforme (dea triformis), SELENE corresponderia, mais ou menos, à LUA-CHEIA. Ver ÁRTEMIS e HECATE.

SEMELE

Filha de Cadmo e de Harmonia, foi amada por Zeus e concebeu Dioniso. Ao saber das relações amorosas de seu esposo com essa princesa tebana, HERA (a protetora dos amores legítimos), resolveu eliminá-la. Revestindo-se dos traços da ama da jovem rival, aconselhou-a a pedir ao deus que se apresentasse com sua divina aparência. Como havia ju­rado à amante conceder-lhe tudo que ela solicitasse, Jú­piter atendeu ao pedido. Ao ver o senhor dos deuses em sua majestade, cercado de raios e trovões, incendiou-se o palácio que a abrigava, e a desditosa princesa morreu fulminada. Zeus retirou-lhe o filho do ventre e o colocou na própria coxa, de onde ele nasceu ao completar-se o tem­po normal de gestação. DIONISO (nascido duas vezes) foi, então, recolhido por Hermes (Mercúrio) que o levou às escondidas para ser criado. Tornou-se uma divindade tão po­derosa que desceu até o fundo do Hades para, de lá, arran­car sua mãe SEMELE, conferindo-lhe a imortalidade.

SEMIDEUS

Filho de um deus com uma mortal ou de um homem com uma deusa. Freqüentemente é confundido com herói.

SIBILA

Nome dado às sacerdotisas de ApoIo, encarregadas de dar a conhecer os oráculos do deus. (Ver PITONISA).

TALIA

Esse nome figura entre as três Graças e as nove Musas.

TÁRTARO

O mais profundo abismo do inferno. Ali, espécie de vasta e horrenda prisão, as diferentes gerações divinas lançavam seus inimigos. Úrano tinha lá encerrado os primeiros filhos que tinha tido de Geia: os CICLOPES Arges, Estéro­pe ou Astérope e Brontes.

TERRA

Nome latino de GAlA ou GéIA. Surgiu do Caos. Como elemento primordial, Géia é deusa cósmica, diferenciando-se, teoricamente, de Deméter, deusa que representa a terra cultiva­da.

TETIS

Uma das Titânidas. Personifica a fecundidade da água, que alimenta os corpos e forma a seiva da vegetação. Ver TITÂNIDAS.

TIFÃO

Filho de Tártaro e Géia, era um monstro horrendo, cuja força excedia a todos os outros filhos e descendentes da deusa, e cuja altura ultrapassava o píncaro das montanhas e sua cabeça tocava as estrelas. Era alado e seus olhos lançavam línguas de fogo. Era pai de QUIMERA (ver).

TIQUE

Nome grego da FORTUNA, não possui mito. Representada, por vezes, como cega, esconde, sob essa máscara, um feixe de símbolos. Os gregos criaram também um deus cego, PLUTO.

TITÂNIDAS

Designação das seis irmãs dos Titãs, filhas igualmente de Urano e Geia: TEIA, REIA, TEMIS, MNEMOSINA, FEBE e TETIS. Na luta de seus irmãos Titãs contra os futuros deuses olímpicos, comandados por Zeus, não participaram as Titâ­nidas, ao menos diretamente. Ver TITANOMAQUIA.

TITANOMAQUIA

Denominação da luta dos Titãs contra os futuros deuses olímpicos, comandados por Zeus.

TITAS

Designação dos seis filhos de Urano e Géia: OCEANO, CEOS, CRIO, HIPERION, JAPETO e CRONO (SATURNO)· Unidos as próprias irmãs, as Titânidas, geraram muitas outras divindades, algumas de pouca projeção no mito.

ÚRANO

Proparoxítono. Personificação do CÉU, enquanto elemento fecundador de Géia (a Terra cosmogônica). Com a deusa-mãe Terra teve os seis Titãs, as seis Titânidas, os três Ciclopes e os três Hecatonquiros. Ao nascerem os filhos, ÚRANO os devolvia ao seio materno, temendo ser destronado por um deles. Com a façanha de Crono (que o mutilou)separou-se de Géia, e, impotente, tornou-se "deus ocioso" (ver em MITOLOGIA GREGA, VaI I, p. 199-200, de Junito Brandão).

VÊNUS

Nome latino de AFRODITE, deusa do amor e da beleza. Segundo tradição mais freqüente, nasceu da espuma formada sobre o mar pelos testículos (ou sêmen) de Urano, mutilado por Crono (Saturno). Foi esposa de Hefesto (Vulcano). Ver AFRODITE , ISHTAR-ASTARTE e também HEFESTO.

VULCANO

Nome latino de HEFESTO,filho de Júpiter(Zeus) e Juno (Hera). Personifica primitivamente o fogo celeste. Teria sido venerado como deus do raio, cujo movimento tortuoso seria representado por seu andar claudicante. Firmou-se como artesão divino. Ver HEFESTO.

ZEUS

Nome grego de JÚPITER, a maior divindade do Olimpo. Filho do Titã Crono (Saturno) e de Réia (Cibele). Esta o deu à luz de noite, secretamente, e, de manhã, enfaixou uma pedra e a entregou ao pai, que a devorou, julgando tratar-se do filho caçula. Salvou-se o pequeno deus, cuidado por uma nin­fa que o alimentou com leite de cabra. Noutra versão, amamen­tado pela cabra Amaltéia. Atingindo idade adulta, conseguiu que Crono expelisse os filhos que havia devorado. Para tan­to, obteve auxílio de Métis (a Prudência), que lhe ensinou o uso de uma droga, cuja eficiência operou a libertação das irmãs e irmãos. Apoiando-se neles que, assim, tinham voltado à vida, durante dez anos, lutou contra Crono e os Titãs, vencendo-os afinal, também com auxílio dos Ciclopes e dos Hecatonquiros, libertados do Tártaro, a conselho de Géia. Com essa vitória, fez-se a partilha do império do universo. A luta contra os Titãs se denomina TITANOMAQUIA. ZEUS, Senhor do Olimpo, preside as manifestações celestes e também provoca a chuva, lança o raio e os relâmpagos (ver SÊMELE) mas, sobretudo, mantém a ordem e a justiça no mun­do. Encarregado de purificar os assassínios da mácula do sangue, vigia pela conservação do juramento e pelo respeito pelos deveres devidos aos hóspedes· É a garantia do poder real e, em geral, da hierarquia social. Exerce essas prer­rogativas em relação aos homens e, também, no interior da sociedade dos deuses. Ele próprio está submetido às forças primitivas que as Fúrias encarnam. Ele é que as interpreta e defende contra a fantasia dos outros deuses.

 

 

P A R T E   V I

 

DADOS E TERMOS ASTRÔMICOS

aplicados em DEUSES & PLANETAS

 

JÚPITER

Conhecido desde a mais remota antiguidade, JÚPITER é, sem dúvida, o maior planeta do sistema solar e aquele que possui rotação mais rápida. Move-se, entretanto, muito lentamente através do céu, avançando pelo Zodíaco na ordem de uma constelação anualmente. Por seu brilho e esplendor, é facilmente distinguido entre as estrelas. Em luminosidade, somente Vênus o excede. JÚPITER apresenta grande interesse para astrônomos amadores em razão de se tornarem visíveis, com auxílio de pequeno telescópio, quatro de seus doze satélites. Aparecem como pontos luminosos, e passagem deles constituem verdadeira fonte de prazer. Os satélites jupiterianos são designados por algarismos romanos. Os quatro acima referidos foram descobertos por Galileu, em 1610, únicos que, a par da numeração I, II, III e IV, receberam nomes da Mitologia, denominando-se, respectivamente: 10, EUROPA, GANIMEDES e CALISTO. Segundo Kuiper, são coloridos: 10 é alaranjado, e os outros três são amarelados. GANIMEDES é o mais impor­tante dentre eles. Sua massa tem, aproximadamente, o do­bro da massa da Lua. Distância de JÚPITER à Terra varia de 600 a 960 milhões de km. Seu diâmetro médio é quase 11 vezes maior que o da Terra e sua massa é 1.300 vezes superior à terrestre.

LUA

Trata-se do satélite natural da Terra e o corpo celeste que lhe é mais próximo. Em Astronomia,dá-se o nome de genérico de lua aos satélites dos outros planetas. Aproxima­damente é de 384.400 a distância média da Lua à Terra, em torno da qual completa movimento de revolução-rotação em 27 dias, 7 hs. e 43 min. Possui corpo esferoidal com diâme­tro de 3.480 km, o equivalente a 1/4 do atual diâmetro do nosso planeta. Amostras rochosas trazidas por naves ApoIo revelaram formação anterior às rochas terrestres, sendo a ­Lua mais velha do que a Terra. Mas apesar do conhecimento que já se possui acerca, de nosso satélite, os cientistas ainda não se decidiram sobre qual das três teorias, acer­ca de sua formação, pode ser adotada como verdadeira, se a captura da Lua pela Terra; a fissão da Lua e da Terra ou formação simultânea de ambas. O estudo especializado da Lua é feito pela Selenologia e Selenografia, abrangendo esta última a Selenotopografia. Ver LUA NEGRA e TORO.

LUA NEGRA

corpo celestial, foi descoberta, em 22.11.1897, por Waltemath. Trata-se de um segundo satélite, que a astronomia babilônica já admitia existir, dando-lhe esse nome por ser opaca e invisível. Foi confirmada essa previsão com a recente descoberta de TORO. Ver TORO.

MARTE

A vista desarmada, MARTE aparenta ser uma estrela vermelha, às vezes tão brilhantes quanto Júpiter. Em virtude da discutida existência de marcianos, é o planeta sobre o qual se tem maior literatura. Periodicamente, a intervalos de 15 e 17 anos, MARTE se apresenta muito próximo da Terra, o que permite sua superfície seja observada com grande facilidade. Quando próximo, é o astro de maior brilho no céu, à exceção de Vênus. Por ordem de afastamento do Sol, é quarto planeta do sistema solar e o primeiro ex­terior à Terra. O planeta MARTE possui dois satélites: FOBOS e DEIMOS (descobertos em 1877), cujos nomes, tira­dos da Mitologia, são os de dois filhos de Ares (nome gre­go do deus Marte) com Afrodite (nome grego de Vênus). Distância do Sol: 228 milhões de km. Revolução: 687 dias. Massa: 0,11.

MASSA

Em resumo, MASSA DOS CORPOS CELESTES (informada neste capítulo) é uma de suas constantes Físicas, dada pelo padrão 1, tomando-se a Terra como referência.

MERCÚRIO

Planeta mais próximo do Sol. Maior afastamento varia de 16 a 28 graus, indo de um lado a outro deste, em seu movi­mento aparente, como se fosse um pêndulo. Já conhecido na remota antiguidade, MERCÚRIO é de difícil observação, por ser o menor planeta do sistema do sistema solar (ele é pouco maior que a Lua), como também por sua grande apro­ximação do SOL. Entretanto, durante os meses de março, abril, agosto e setembro pode ser visto em dias sucessi­vos, antes do nascer-do-Sol ou depois que este se põe. Distância do Sol: 58 milhões de km. Distância da Terra: 127 milhões de km. Revolução: 88 dias. Massa: 0,5.

NETUNO

O planeta NETUNO foi identificado em 1846. Por ordem de afastamento do Sol, é o oitavo planeta do sistema solar e o quarto e último dos gigantes. NETUNO possui dois satélites, que apresentam movimento retrógrado, são eles: TRITAO e NEREIDA, nomes que, na Mitologia, são de descen­dentes de Posídon (nome grego do deus Netuno). A desco­berta de NETUNO e PLUTAO constituí um dos maiores triunfos da Astronomia, pois ocorreu por meio de cálculos matemáticos, antes de terem sido vistos por meio de telescópios. Distância do Sol: 4,5 bilhões de km, aproximadamente. Revolução: 164 anos e 10 meses. Massa: 17,3.

ÓRBITA

E a trajetória descrita por corpo celeste em sua revolução ao redor de outro. Etimologicamente ("órbita", em latim), a palavra significa "circular". Em seu tempo, Copér­nico considerou que tal trajetória fosse circular, mas, co­mo demonstrou Kepler, mesmo conservando-se esse vocábulo, as órbitas são elípticas.

PLANETAS

Por extensão, SOL e LUA, no jargão astrológico, figuram entre os planetas. Com exceção da TERRA, os principais planetas são em número de oito: MERCÚRIO, VÊNUS, MARTE, JÚPITER, SATURNO (visíveis a vista desarmada>, URANO, NETUNO e PLUTÃO. Os dois primeiros são chamados planetas interiores, por se situarem entre a Terra e o Sol. MERCÚRIO e VENUS são visíveis a Oeste (elongação oriental) após o pôr-do-Sol, e a Leste (elongação ocidental) antes do amanhecer. VENUS e JUPITER são os planetas que se apresentam mais brilhantes. NETUNO e PLUTÃO nunca são visíveis a vista desarmada, e a descoberta deles constitui um dos maiores triunfos da Astronomia matemática, pois ocorreu mediante cálculos, antes que os telescópios os conseguis­sem captar. Em DEUSES & PLANETAS, consideramos também a existência do miniplaneta descoberto por Charles Koval, denominado QUÍRON, e seu correspondente mitológico, o Centau­ro Quirão.

PLUTÃO

Como citamos a propósito de NETUNO, também a descoberta de PLUTÃO constitui um dos maiores triunfos da Astronomia, pois ocorreu por meio de cálculos, muito antes de terem sido vistos por meio de telescópio. Trata-se aqui do nono planeta, por ordem de afastamento do Sol, do qual fica dis­tante cerca de 5,9 bilhões de km, sendo sua revolução de 248,5 anos. Foi oficialmente reconhecido e denominado em 1930. Dados mais recentes o apresentam como menor do que a Lua. Possui um satélite, que foi descoberto em 1978. Recebeu o nome de CARONTE, que, segundo a Mitologia, era uma divindade infernal, com a função de fazer as almas dos mor­tos atravessarem o Aqueronte (rio que as separava dos Infernos).

QUÍRON

Pequeno planeta descoberto em 1/11/1977 pelo astrônomo Charles T. Kowal, do Observatório de Hale, em Passadena (Califórnia). Transitando entre Saturno e Urano, possui órbita muito elíptica, cuja duração oscila entre 46 e 50 anos, dependendo da interação com as daqueles planetas nos períodos de aproximação máxima, sem que haja perigo de colisão. Cabe assinalar que os astrônomos, em pleno século XX, ao atribuírem nomes da tradicional mitologia tanto aos novos planetas e asteróides, como às naves espaciais, implicitamente estão reconhecendo uma mensagem do inconsciente coletivo que nos dá a chave para interpretar e conhecer o significado astrológico de QUÍRON.

REVOLUÇÃO

Do latim "revolutio", que significa volta completa.

SATURNO

Trata-se do mais distante dos planetas visível à vista desarmada. Desse modo, ele se apresenta como uma estrela de primeira magnitude, de coloração amarelada. É tão lento seu movimento aparente entre as estrelas que leva quase dois anos para atravessar uma constelação zodiacal. SATURNO tem dez satélites, que receberam nome de divinda­des gregas e aqui citados, por ordem do menor afastamento: JANO, MIMAS, ENCÉLADO, TÉTIS, DIONE, RÉA, TITÃ, HIPÉ­RION, JÁPETO e FEBE. O maior deles é TITÃ, cujo diâmetro é quase igual ao da Terra. O menor e mais distante é FEBE, cujo movimento retrógrado faz pensar tratar-se de asteróide capturado. A 11ª lua de SATURNO recebeu o nome de PIONEER ROCK, e uma 12ª ainda não recebeu denominação. Revolução: 29 anos e meio. Distância do Sol: 1,4 bilhões de km, aproximadamente. Em virtude de seus sistemas de anéis e satélites, o planeta SATURNO é considerado o mais belo dos objetos, quando observado com telescópio. Massa de SATURNO: 95.

SOL

Centro luminoso de nosso sistema planetário, está a uma distância média de 149,6 milhões de km, o equivalente a quase 23.500 raios terrestres. É a estrela mais próxima da Terra, sendo 300 mil vezes maior que ela. A luz do SOL leva 8 minutos e meio para atingir nosso planeta. Enquanto isso, a luz da estrela mais próxima, depois dele, a chamada Próxima Centauri, necessita de 4 anos para chegar à Terra. Esse astro, em torno do qual giram a Terra e os demais planetas, não é fixo no espaço, pois se desloca e arrasta consigo todo o sistema, na direção de um ponto situado na constelação de Lira.

TERRA

o planeta em que habitamos é o terceiro por ordem de distância do Sol e o quinto em proporções. Como aos demais planetas, foi-lhe atribuído nome de divindade mitológica. GEA (na mitologia grega) é a esposa do deus URANO (Céu). Ler, no Glossário deste livro, sobre os citados nomes. O glifo estabelecido para este planeta é uma circunferência diametrada (polar e equatoralmente). Não sendo possível calcular a idade da Terra por processos geológicos, só é válido o cálculo pelo processo astronômico da evolução das órbitas planetárias, o que dá, no mínimo, 5 bilhões de anos para nosso planeta, como astro. Igual ida­de devem ter os demais componentes do sistema planetário. Distância do Sol: 149,6 milhões de km. Revolução: 365 dias e 6 horas (1 ano). Rotação: 24 horas (1 dia). Raio médio: 6.371 km.

TORO

A predição babilônica acerca da existência da LUA NEGRA (também LILITH, correspondendo à deusa Hécate, na mitolo­gia grega) foi confirmada pela descoberta de TORO, assim denominado em homenagem a seu descobridor (Cal. EUA), pelo qual foi identificado em mancha microscópica de astrofotografia longamente exposta. Verificou-se que revoluciona em torno da Terra em órbita excêntrica, a uma distância 16 vezes maior do que aquela a que se encontra a Lua. Sua origem ainda não foi determinada, mas também já se sabe que possui diâmetro de quase 2 km, gastando 8 anos para completar uma volta (perigeu em 1975). Ver LUA NEGRA.

TRÂNSITO

Passagem de um astro por determinado grau do Zodíaco.

URANO

Quando próximo da Terra, é visível como uma estrela de sexta magnitude, sendo o terceiro dos grandes planetas gigantes (em URANO caberiam 59 TERRAS). Foi identificado em 1781, embora anteriqrmente visto por alguns astrônomos aos quais pareceu tratar-se de uma simples estrela. URANO tem cinco satélites: OBERON e TITANIA(os mais afastados), UMBRIEL e ARIEL (intermediários) e MIRANDA (o mais próxi­mo). Os nomes desses satélites uranianos foram tirados de peças de Shakespeare e Pope. O movimento aparente de URA­NO é tão lento que leva sete anos para atravessar cada constelação zodiacal. Distância do Sol: 2,8 bilhões de km aproximadamente• Revolução: 84 anos e 8 dias.

 

 

P A R T E    V I I

OBRAS CONSULTADAS

na composição

de

Deuses e Planetas – na síntese do verso

 

1.           

A ASTROLOGIA DA AUTO DESCOBERTA – Iracy Marks – ED. PENSAMENTO

2.           

A ASTROLOGIA E A PSIQUE MODERNA - Dane Rudhyar - PENSAMENTO

3.           

A INFLUENCIA DA LUA NA NOSSA VIDA DIARIA - Sasha Fenton - PENSAMENTO

4.           

A INFLUENCIA DA LUA NO SEU MAPA NATAL - Donna Cunningham – PENSAMENTO

5.           

A DEUSA INTERIOR – Jennifer Barker e Roger J. Wooger – Ed. Cultrix

6.           

A RAINHA DA NOITE - Explorando a Lua Astrológica - Haydn Paul - AGORA

7.           

ARQUETIPOS DO ZODIACO -  Kathleen Burt  - PENSAMENTO

8.           

AS DOZE CASAS -  Howard Sasportas     - ED.PENSAMENTO

9.           

ASTROLOGIA DA ALMA - Ry Redd - SICILIANO

10.        

ASTROLOGIA DA PERSONALIDADE - Dane Rudhyar - PENSAMENTO

11.        

ASTROLOGIA DO KARMA - Pauline Stone - PENSAMETO

12.        

ASTROLOGIA LUNAR - /Alexandre Volguine - PENSAMENTO

13.        

ASTROLOGIA, PSICOLOGIA E OS QUATRO ELEMENTOS - Stephen Arroyo - PENSAMENTO

14.        

ASTROLOGIA - Ciência do Equilíbrio - Jaci Fernandes -  HIPOCAMPO

15.     

ASTROPSICOLOGIA - Os Ciclos Planetários na Vida Humana - Huguette Hirsig - RECORD

16.        

ATLAS CELESTE - Ronaldo Rogério de Freitas Mourio - CIVILIZAÇAO BRASILEIRA

17.        

COLLIER'S  ENCYCLOPEDIA - 20 volumes

18.        

CONHECIMENTO DA ASTROLOGIA - Ana Maria da Costa Ribeiro - HIPOCAMPO

19.        

DEUSA INTERIOR - Roger Woolger  - CULTRIX

20.        

DICIONÁRIO DA MITOLOGIA GREGA E ROMANA - Pierre Grimal - BERTRAND

21.        

DICIONÁRIO DE ASTROLOGIA - Vitorino de Sousa - AQUARIUS - Lisboa * COM DEDICATÓRIA (abril 1994) ao casal Jorge e Marilena. O dicionarista, astrólogo e poeta português, é autor do prólogo na 2ª Edição de POESIA DAS SIGNOS, de Jorge das Neves.

22.        

DICIONÁRIO DE ASTRONOMIA e ASTRONAUTICA - Jorge O'Grady de Paiva - REV.CONTINENTE

23.        

DICIONÁRIO DOS DEUSES E DEMONIOS - Manfred Lurker - MARTINS FONTES

24.        

DICIONÁRIO MITICO-ETIMOLOGICO - 2 volumes - Junito Brandio - VOZES

25.        

DIMENSÕES DO SER - Reflexões sobre os Planetas – Maria Eugênia de Castro - HIPOCAMPO * Essa conceituadíssima astróloga valorizou com sua Apresentação a 1ª edição de POESIA DOS SIGNOS, de Jorge das Neves, figurando a mesma também na 2ª edição, com Prólogo de Vitorino de Sousa, autor do Dicionário de Astrologia, acima citado.

26.        

ENCICLOPEDIA ASTROLOGICA - Nicholas Devore - VIER

27.        

ENCICLOPEDIA MIRADOR INTERNACIONAL - 20 volumes

28.        

JUNG E A ASTROLOGIA - Arthur Dione - NOVA FRONTEIRA

29.        

JUPITER - el preservador - Alan Leo - VISIÓN LIBROS (Espanha)

30.        

JUPITER E SATURNO - Liz Greene e Stephen Arroyo - PENSAMENTO

31.        

LILITH: a Lua Negra - Roberto Sicuteri - EDITORA PAZ E TERRA

32.        

LUZ E SOMBRA - Elementos básicos de Astrologia - Emma C.Mascheville - HIPOCAMPO

33.        

NOVA MITOLOGIA GREGA E ROMANA - P.Commelin - ITATIAIA

34.        

O LIVRO DE LILITH - PSICOLOGIA/MITOLOGIA - Bárbara Black Kcltuv, Ph.D. - CULTRIX

35.        

O LIVRO DE NETUNO - Marilyn Waran - OBJETIVA

36.        

O LIVRO DE PLUTÃO - Jeff Green - OBJETIVA

37.        

O SENHOR DA LUZ - Explorando o Sol Astrológico - Haydn Paul - AGORA

38.        

O SIMBOLISMO ASTROLÓGICO E A PSIQUE HUMANA - L.C.Teixeira de Freitas - PENSAMENTO

39.        

OS DEUSES DA MUDANÇA - Howard Sasportas - SICILIANO

40.        

OS DEUSES GREGOS - G.Sissa e M. Detienne - COMPANHIA DAS LETRAS

41.        

PSICOLOGIA ASTROLÓGICA - Dr.Oskar Adler - FUND.EDUC. e EDITORA UNIVERSALISTA

42.        

QUÍRON - Barbara Hand Clow - PENSAMENTO

43.        

QUÍRON - el nuevo planeta - Bernardette Sauzea - Catalina Juan - EDICONES OBELISCO

44.        

QUÍRON - Melanie Reinhart - ROCCO

45.        

RELACIONAMENTOS E CICLOS DE VIDA – Stephen Arroyo – ED. PENSAMENTO

46.        

SATURNO - el segador - Alan Leo - VISION LIBROS (Espanha)

47.        

UM ESTUDO ASTROLOGICO DOS COMPLEXOS PSICOLOGICOS - Dane Rudhyar - PENSAMENTO

48.        

VÊNUS - A Dádiva do Amor - Martin Schulman – PENSAMENTO    

 

Finis coronat opus
O fim coroa a obra