C A R I O C A
Paro no tempo. Às vezes silencio
adorando ficar assim comigo,
sentindo-me feliz no meu abrigo,
curtindo as maravilhas do meu Rio.
Não me sinto infantil, nem muito antigo.
Evito discussões e desafio,
para os problemas cruciais nem ligo,
pois nessa idade minha sou... vadio !
Agradecido a Deus, ando na praia,
olho a paisagem com olhos de criança
e nem me importa se uma chuva caia.
Os morros são maciços!... Corcovado
é uma rocha e sinto confiança.
Paro no tempo e fico extasiado.
JO®GE DAS NEVES
M A G A Z I N E
![]()
acaba de eleger
Rio de Janeiro
a mais charmosa cidade em 2011
http://www.youtube.com/watch?v=9DtSKbQcOT0
VIDEO PRODUZIDO PELA PREFEITURA DO RIO DE JANEIRO
http://www.youtube.com/user/PrefeituradoRio
![]()

DIANTE DOS SEUS OLHOS
Você que lê sonetos inda quentes
nascidos das entranhas do meu ser
ajude-os a florir, voar, crescer
por este mundo a fora, pois nascentes
eles esperam mais do amanhecer
que as folhas, flores, frutos e sementes
que ficaram, por muitos sóis poentes,
no esquecimento triste e fenecer...
Ajude-os no caminho, nos seus passos.
Não os deixe jamais abandonados
como se os versos fossem meus fracassos,
pois precisam brilhar à luz do dia
bem impressos, vistosos e cuidados,
porque o mundo precisa de poesia!
JO®GE DAS NEVES
Crédito
Pintura de ANA LUÍSA KAMINSKI
![]()

ALMA DE MULHER
Néctar dos beijos teus, a tentação
no olhar, cabelos longos, sedutores
e o gestual bonito sempre são
desse teu corpo esplêndidos favores...
Assim descrevo-te sonhando em cores,
mas certamente não te sonho em vão.
Encantam-me teus místicos odores
de algum modo em sublime dimensão.
Se é nas estrelas que teu corpo habita,
tu'alma já percebo sobre a Terra,
por seres nesta muito mais bonita.
Tu'alma vagueia e já consigo vê-la
num certo encanto, pois o Amor não erra,
como não erra o brilho de uma estrela.
Jo®ge das Neves
![]()

SUPERLATIVO AMOR
Esse Amor colorido, diferente,
cheio de luz, de
sonho, de energia,
que se transforma
em riso, de repente
e, novamente doce,
contagia.
Esse Amor que se
faz nossa mania,
que neblina, que
chove, que pressente
o encanto novo que
desperta o dia,
lua cheia beijando
o sol poente.
Esse Amor que está
sempre do meu lado,
que é selvagem, que
é livre passarinho,
touro bravo ou leão
domesticado,
é muito mais Amor
do que se diz,
porque, vivo,
floresce no caminho
e quanto mais
existe é mais feliz!
Jo®ge das Neves
![]()
§ para ampliar ponha a mãozinha do mouse sobre o texto §
ILUSTRAÇÃO MUSICAL
em
MATEMÁTICA DE NOSSAS VIDAS
clique
para ouvir
http://www.youtube.com/watch?v=XpgxG685gVA
PARA RETORNAR AO TEXTO
clique na seta em
cima à esquerda
![]()
AULA PRÁTICA PARA RESOLVER
a
EQUAÇÃO DO AMOR
em
http://www.youtube.com/watch?v=0tXSCcSJXGs
![]()
L i g a ç õ e s
Pois tudo em ti tem muito a ver comigo,
no modo de sentir e de fazer
no que te ligas, eu também me ligo
no que pensares, corro a te dizer.
Teu coração é festa e meu abrigo,
onde inteirinho sei muito caber,
e aquele pensamento meu antigo
no teu pensar costuma acontecer.
A minha idade em ti só diminui
em matemática misteriosa
que o cálculo dos anos nem conclui.
Multiplica-se apenas nosso ardor
numa página bela e cor de rosa
a cada dia escrita pelo Amor.
Jo®ge das Neves
![]()
O soneto me inspira e disciplina
a verbalização do pensamento,
surgindo de uma forma cristalina
pelos quatorze versos. Num momento,
a idéia docilmente se confina,
e as rimas vão surgindo sem tormento
por quadras e tercetos. A neblina
da inspiração dissolve-se no vento.
Nenhum retoque é necessário agora
em mais um filho nessa prole imensa
que meu cérebro, alegre, comemora.
Quantos sonetos mais farei na vida?
Cada verso é meu lucro e recompensa
pela paixão poética nutrida.
Jo®ge das Neves
![]()
B l i n d a g e m
Há pessoas que fogem dos instantes
que a vida benfazeja nos confia
e mantêm-se evasivas e distantes
das alheias carências e alegria.
Há pessoas sem livros nas estantes,
sem emoções e sem fotografias,
pessoas que, tão mais agonizantes,
nem respondem à carta que se envia.
Há pessoas de olhar sempre tristonho
por lhes faltar dos outros o prazer
de ouvir uma canção, a voz de um sonho.
Há pessoas sozinhas por escolha,
fechadas em si mesmas, sem viver,
morrendo em sua concha, em sua bolha...
1º lugar no V Concurso Nacional de Sonetos/1997
do Grêmio Literário Castro Alves (Porto Aalegre/RS)
sendo gestora Silvia Benedetti
Jo®ge das Neves
![]()
Tua voz
Tua voz, simplesmente a tua voz
faz de mim um risonho adolescente
só no ouvir o que dizes docemente,
sem cuidarmos dos contras e dos prós.
A magia de luas e de sóis
nos envolve em minutos, de repente,
com esse timbre suave, alegre, quente
derramando beleza em tua voz.
Como beijam teus lábios? - me pergunto.
Qual a cor de teus olhos? Imagino
teus cabelos, teus passos... o conjunto!
Há! sou aquele fúlgido albatroz
à procura do corpo cristalino
que o telefone imprime... em tua voz!
5º lugar no V Concurso Nacional de Sonetos/1997
do Grêmio Literário Castro Alves (Porto Aalegre/RS)
sendo gestora Silvia Benedetti
Jo®ge das Neves
![]()
S o n e t a g e m
Quero ser sonetista bem formal,
mostrar soneto bem elaborado,
falar de Amor e Graça e coisa-e-tal,
fingindo às vezes ser meio letrado.
Quero mostrar estilo bem legal,
pois necessário seja eu publicado
aqui no site... Essencial
é que eu não faça verso pé-quebrado,
sabendo boas rimas escolher
em sonetos de forma tão bonita,
que dê aos meus leitores mais prazer.
Falar de Amor e Graça é meu desejo
na sonetagem minha que se edita,
onde, sendo aplaudido até me vejo.
Jo®ge das Neves
![]()
Boêmio sou das letras e dos versos
nas madrugadas das inspirações,
em que vagueio pelos universos
de coerentes e abissais paixões.
Meus pensamentos são canais transversos
por onde passam límpidas canções
e se espraiam por temas mais diversos
que os frutos todos pelas estações.
A taça plena as musas eloqüentes
põem gentilmente em minha boca. Vejo
surgir o sol em múltiplos nascentes,
espargindo sonetos multicores
e sobre a cama estico meu desejo
e me transbordo em cândidos amores.
Jo®ge das Neves
![]()
Além do horizonte
Em que parte do mundo? em que cidade?
em que meridiano e latitude
vai procurar o Amor a mocidade
de um coração pulsando em longitude?
Nas congruências dessa afinidade,
quando as palavras crescem na virtude,
as sílabas são longas na saudade,
e essa distância não me desilude.
Amor tem asas poderosas! Voa
por infinitos planos, nos espaços,
e vai chegando junto na pessoa.
O amor avança na velocidade,
capaz de levar beijos e abraços
nos rútilos momentos de saudade!
Jo®ge das Neves
![]()
A m i z a d e
Nossa amizade, Amiga, faz tão bela
a minha vida na literatura
que em cada verso brota mais doçura,
como o soneto novo aqui revela.
A parceria aumenta e nos revela
um novo quadro posto na moldura,
canção às vezes numa partitura,
uma pintura nova, uma aquarela...
Como um presente num laço de fita,
também os versos podem ser a prece
que se recita na manhã bonita.
O coração escreve em sintonia,
traz uma flor que brota e não fenece,
como jamais fenece a poesia.
Jo®ge das Neves
![]()
A m o r
Amor não tem pecado e preconceito,
nem carece de rótulos... Amor!
Basta dizer Amor e está perfeito
o sentimento pleno em seu valor.
Assim como a beleza de uma flor,
Amor não tem avesso nem direito,
e nem precisa alguém o decompor
para guardá-lo inteiro no seu peito.
Amor é tudo ou, mesmo, um quase nada
na consistência pura da emoção
que bem se expressa em beijo ou na risada.
Amor, às vezes, é silêncio apenas;
às vezes, simples luz na escuridão
e pode estar nas coisas bem pequenas.
Jo®ge das Neves
![]()
Amizade e Amor
Amizade constrói-se a cada dia,
o Amor também, e são o fundamento,
quando se quer viver nessa harmonia
que o fogo não destrói! No pensamento
deve girar sincera uma ousadia
de confessar bem alto o sentimento
e divulgar a luz que isso irradia
a cada instante, sem constrangimento.
Dona Amizade e o Amor, se bem casados,
nos fazem mais felizes pela vida,
e os dias são de fato abençoados.
Essa bênção não é religião,
pois brota natural no coração
dos seres pelo Amor iluminados.
Jo®ge das Neves
![]()
Amizades eternas e as efêmeras
Buscamos compreender qual o sentido
de algumas repentinas amizades:
um passado distante, revivido,
ou um encontro a mais noutras cidades?
O coração, ás vezes repartido,
vai inventando múltiplas verdades,
pois este mundo é belo e colorido
nessa avalanche de variedades.
E amizades são como uma floresta
com as árvores pequenas e as de porte,
como pessoas vindas para a festa.
Algumas amizades são perenes,
outras encontram facilmente a morte,
com rituais macabros ou solenes...
Jo®ge das Neves
![]()
R o d o p i o
Nosso amor foi big-bang, uma paixão
o amanhecer universal em nós,
uma estrela cadente, uma implosão
nos alcançando o coração veloz.
Essa implosão de amor foge à razão,
pois não se explicam intrincados nõs,
nem termômetros loucos no verão,
nem vertical mergulho de albatroz.
O nosso amor foi à primeira vista,
um impacto no olhar, uma certeza
escrita nas estrelas, fatalista!
E quanto dura o meu amor p rimeiro!
Novamente Cupido, com destreza,
Foi big-bang, foi mais ágil, foi certeiro...
![]()
@m o r v i r t u a l
Tenho você no meu computador,
a sua imagem, versos que lhe fiz,
as frases todas lhe dizendo Amor,
nosso primeiro encontro tão feliz!
Em minha tela guardo o seu fulgor
nessas palavras que você me diz,
e pelos sonhos que sonhando for,
vou recriando o que dizer-lhe quis.
Quando a saudade aperta no meu peito,
minha pequena tela me consola,
e nas doces lembranças me deleito...
Modernidade providencial !
Mas, de repente, me parece esmola
viver de sua imagem... virtual !
Jo®ge das Neves
![]()
As senhas desse @mor
Porque esse @mor é virtual, criativo,
é como todo sentimento belo,
por dispensar explicações, motivo
em seu contexto lúcido e singelo.
O nosso @amor é multicor e vivo
: é vermelho, laranja e amarelo,
verde, azul, violeta... e intuitivo
em tal policromia sem libelo.
Nosso pombo-correio, um aparelho
moderno (para muitos complicado)
vence distâncias... sem sinal vermelho!
Louvemos, pois, o tal computador
( eficiente, amigo e requintado )
e as senhas todas desse nosso @mor!
Jo®ge das Neves
![]()
M i s t é r i o s
A cada instante vejo-a do meu lado
misteriosamente!... Numa flor,
seu rosto me aparece desenhado,
se faz um vulto e vai por onde eu for.
Em meus ouvidos paira o seu chamado
naquele timbre ameno e sedutor,
como se o vento fosse um tal recado
falando-me da música do Amor...
Será que me enlouqueço de paixão
ou me nutro da força de um desejo
que me afeta o bom senso e a razão?
Por que seu rosto e sua voz comigo?
Por que seus lábios sussurrando vejo?
Por que seu nome, até sem vê-la, eu digo?
Jo®ge das Neves
![]()
T e l e p a t i a
Há entre nós tamanha afinidade
nas frases, cores, sonhos e manias;
há um tamanho grau de virgindade
no proceder de nossas alegrias;
há tamanha nobreza e majestade
na evolução de nossas fantasias
que o relógio, marcando esta saudade,
faz prosperar infindas nostalgias.
Na ponte geográfica deliro,
e tua imagem deita-se comigo,
sugando-me, suspiro após suspiro.
Esse delírio - eu sei - só vai embora,
quando estiver chegando ao teu abrigo
quem vence tais distâncias e te adora
Jo®ge das Neves
![]()
D e s e j o s
Desejo tanto arder no seu carinho,
ser o chiclete que você mascava,
colar a minha pele em seu caminho,
de sua porta eu ser a própria aldrava.
Desejo ser pantufa em seu pezinho,
seu banho, sua música na oitava,
ser seda sua e seu lençol de linho,
ser seu fogo, o vulcão e sua lava.
Desejo ser seu rumo em cada esquina,
colher flores em todos os jardins
para escolher aquela que fascina.
E quando os beijos (se eu lhe der mais puros)
seus lábios rejeitarem por ruins,
exija (por favor !) pesados juros...
Jo®ge das Neves
![]()
Ah, como eu quisera !
Quisera ser o vento em teus cabelos,
ser o sol que te aquece, ser a lua
que prateia de luz esses teus pelos
nesse colchão em que te deitas nua.
Quisera ser a linha dos novelos
que fazem tua roupa, que acentua
os meus fortes desejos nos apelos
para que passes pela minha rua.
Quisera ser a praia em que te banhas
e, em cada praia, ser tuas areias,
cada conchinha que, feliz, apanhas.
Quisera eu ser tu mesma, na loucura
de estar dentro de ti, nas tuas veias,
correndo no teu sangue, com ternura!
Jo®ge das Neves
![]()
Quando é mais linda
Jo®ge das Neves
![]()
E s p a r t i l h o s
Teus espartilhos entram, fetichistas,
pelos meus olhos ávidos de amor,
como mensagens rútilas, benquistas,
dos meus anseios sempre em teu louvor.
Teus espartilhos - graças imprevistas –
realçam meus desejos pela cor
e me induzem às másculas conquistas,
exacerbadas pelo teu langor.
Espartilhada, airosa, sedutora,
és minha trilha, bússola, meu passo
- és a Diana, a deusa caçadora!
Azul, vermelho, preto, cor de vinho...
eu me embriago e afundo em teu regaço
e me espartilho, eu mesmo, em teu carinho!
Jo®ge das Neves
![]()
B a g a g e m
Quando se morre, não se leva nada
que não tenha lugar na sepultura,
e a própria roupa, em breve estraçalhada,
não mais pertence à extinta criatura.
As flores vão murchar na caminhada
tão logo a terra faça cobertura,
apagando crepúsculo e alvorada
para que a noite impere mais escura.
Mas sobreviverão as qualidades,
os atos praticados e os momentos
que plantamos no campo e nas cidades.
Das pessoas que amamos (evidente)
levam-se a essência e os puros sentimentos
que vão, além da morte, eternamente.
Jo®ge das Neves
![]()
D i s t â n c i a s
Inexistem distâncias para o Amor,
e quanto mais distância, mais saudade,
mais perfume nas pétalas da flor,
mais sopra o vento na velocidade,
que vai buscar a imagem multicor
e tais anseios de felicidade.
Em que momento o sol irá se pôr,
e estrelas brilharão nessa cidade?
Há sorriso nos lábios? Teus cabelos
repousaram num macio travesseiro?
Ah! teus olhos fechados posso vê-los
e até lhe cubro os rostos com meus beijos!...
Eis meu sonho distante, por inteiro
envolvido nas malhas do desejo.
Jo®ge das Neves
![]()
G i s e l a
Procuro por Gisela, ou aquela
que provocou paixão no coração
de... alguém. Será casada? Uma donzela?
Procuro-a pelo mundo, sempre em vão.
Talvez Gisela seja uma aquarela
ou uma simples visualização,
uma santa no altar de uma capela,
um bola bem leve de sabão...
Translúcida Gisela faz magia
no visual das minhas inquietudes,
nos rituais da minha fantasia.
O nome dela... engano de um recado!
E eu (simplesmente por não ter virtudes)
Imaginei Gisela em meu pecado!
Jo®ge das Neves
![]()
L a i l a
Flechada por Cupido uma guerreira
tombou vencida por um grande amor!
De onde surgiu a flecha tão certeira,
tão imprevista, sem causar-lhe dor?
O Arqueiro foi gentil. Ela, faceira,
fingiu desmaio e até perdeu a cor
para entregar-se linda e feiticeira,
pois só Laila o faria em pleno ardor...
Quem é Laila, afinal? Qual a magia
desse encontro fatal, assim contado,
como se houvesse uma fotografia?
São segredos de um vate nas estrelas,
como Bilac, por vezes inspirado
nesse desejo imenso de entendê-las!
Jo®ge das Neves
![]()
F o s s e você P e r s é f o n e
Doce enlevo apodera-se de mim,
e o coração ardente se escancara,
e me apaixono e vou ficando assim
como quem vê estrela ou jóia rara...
Houvesse sobre a terra um querubim
em forma de mulher, de pele clara,
cabelos louros, lábios de carmim,
seria você mesma! Mas não pára
este lance do olhar, que se extasia
nas ardências do encanto que me invade
em devaneios de Mitologia.
Fosse você Perséfone, Plutão
eu seria, sem dó nem piedade,
profundamente nesse coração!
Jo®ge das Neves
![]()
É b o m s a b e r
É bom saber que vives radiante
esse momento lindo em tua vida,
tocando tais questões para adiante
e buscando do estresse uma saída.
É bom sentir teu âmago vibrante,
e, então, me ponho firme na torcida,
para que o mundo aos teus ouvidos cante
doce canção jamais interrompida...
É bom saber que teu cansaço é luz
de um Glorious Day com muitas novidades,
curtindo algum prazer que mais seduz.
É bom saber que tens os pés no chão,
nessa procura de... felicidades
que desabrocham no teu coração.
Jo®ge das Neves
![]()
Vênus e Lilith
Um anjo e um demônio há dentro dela:
um faz carinhos, outro faz arder,
e, assim se expressa a lúdica donzela
nesses momentos plenos de prazer.
Em couro ou lingerie se faz tão bela
quando os instintos vêm nos aquecer,
que, desse modo, o Amor que ela revela
nas duas face põe-se a florescer.
Ela é Vênus na doce formosura,
caprichosa, envolvente, cristalina,
um convite à paixão que mais perdura;
e, quando é Lilith, tome-se cuidado,
pois nos rodeia e abraça viperina,
nos levando aos abismos do pecado...
Jo®ge das Neves
![]()
L i l i t h
o mito obscuro da lua
(soneto inglês)
Por que demônio? Louve-se a Mulher,
no encantamento pleno da libido,
na força do prazer em seu mister,
melhor momento em fogo bem vivido!
E é muito mais que uma mulher qualquer,
que no papel explícito e atrevido
nos traz o encanto que o desejo quer
no Amor profundamente resolvido.
É Lua Negra só?... Por certo, não!
Poderosa, transita pelas ruas,
e suas carnes, muitas vezes nuas,
têm cristalinos vãos no coração...
De que nos serve criticar o mito
se ardente Amor é sonho... e tão bonito?!
Soneto inglês, 3 quadras e 1 dístico
Escrito em 22/11/1997
CENTENÁRIO DO CORPO CELESTIAL
descoberto por GEORGE WALTEMATH em 22/11/1897
Os dois sonetos sobre LILITH fazem parte de livro sobre o tema
editado neste site, na bandeira ASTROLOGIA
Jo®ge das Neves
![]()
D o c e d i s t â n c i a
Ando a dizer teu nome sem querer
e sem querer abraço-te no vento
sentindo, por enganos de te ver,
nos lábios um sorrir de encantamento.
Nesse sorrir expresso meu prazer
e na distância te beijar eu tento
procurando esse Amor acontecer
por overdoses do meu sentimento.
Que mania instalou-se no meu peito?
Que sadia loucura tenho agora
que, amando, a tua ausência até aceito?
Mas o melhor de tudo é que me dizes
que me sentes por dentro e até por fora
na vã distância cheia de matizes...
Jo®ge das Neves
![]()
Dança cigana
A mágica leveza dessas danças
envolvidas nas lindas tradições
tem mil ciganas de belezas mansas
crepitando na pulcras emoções.
Nos olhos de magia e de esperanças
gravitam as sutis adorações,
os tesouros sagrados e as heranças
que se eternizam por encarnações...
Arabescos das mãos claras de fada
escrevem versos de poemas lindos
como a lua rompendo a madrugada,
e a música, compondo esse compasso,
materializa com bemóis infindos
partituras eternas pelo espaço.
Em 15/02/1998
na inauguração do “ Espaço Ponto de Equilíbrio”
criado pela psicóloga Dra. Maria Laura de São Paulo
Jo®ge das Neves
![]()
P o n t o G
A excitação existe, mas resulta
nenhum prazer, se ele quedar sozinho,
pois o orgasmo acontece, sem consulta,
quando o parceiro, ali, põe o carinho.
Tem a criar o macho a posição
em que a mulher encontra mais prazer...
Chegando àquele ponto, àquele grão,
a fêmea se umedece, poderosa,
e o paraíso vai-se ao se perder
um momento do Amor, quando ela goza!
Jo®ge das Neves
![]()
A l u c i n a d o
Louco não, totalmente alucinado
por esses beijos de melhor sabor,
pelo pequeno espaço aveludado,
onde existe uma gruta para o Amor.
Nesse regaço sonho mergulhado
e me aprofundo pelo teu calor
e quantas vezes quedo saciado
num paraíso novo e multicor...
Guardo comigo essa felicidade
e aqui dentro do peito sonhador
a tua imagem é realidade
: nesse pequeno espaço aveludado,
onde existe uma gruta para o Amor,
amo-te, totalmente alucinado!
Jo®ge das Neves
![]()
E n a m o r a d o
Há perfume de flor no corpo dela,
Afrodite, que me acontece em sonho,
sempre mais linda quando se revela
com seu olhar de mel, de Amor risonho.
Seus contornos são traços de aquarela,
e aos paraísos dela me transponho,
como entrasse num corpo de donzela
pelas carícias que a sonhar proponho.
Já mergulhei na cor de seus cabelos
e o gosto de seus beijos já provei,
somente por sonhar e concebê-los...
Sonhar com ela, à própria luz do dia,
faz-se um mistério que explicar não sei.
Excêntrico desejo? Amor? Mania?
Jo®ge das Neves
![]()
O e s p e l h o
No reflexo do espelho me procuro
e me encontro sorrindo para mim
: não vejo mais o meu cabelo escuro
mas, feliz, eu sorrio mesmo assim.
Afinal, estou lúcido e maduro
e com a destreza de um espadachim
disposto a duelar pelo futuro
se persistir governo tão ruim...
Nesse plano espelhado me repito
em duplicata de eloquentes gestos
e confesso: me vejo mais bonito !
Não sou exatamente qual Narciso
porém, nos pensamentos mais modestos,
assumo se meu próprio... Paraíso
Jo®ge das Neves
![]()
H o s p e d a g em
Vem pernoitar comigo, meu Amor,
na maciez da seda dos lençóis,
para sentires o melhor calor
que houvesse pelo brilho de outros sóis.
Vem ser rainha de real valor,
que serei teu exército de heróis
neste feudo de sonho multicor
iluminado pelos arrebóis.
Vem preencher um coração vazio
e povoar meu hálito sedento
com avalanche de beijo em desvario.
Mas não te vás enquanto houver paixão
nem abandones por um só momento
a minha cama... que tem coração!
Jo®ge das Neves
![]()
L i g a d o
Vivo ligado em ti... telepatia?
Como se houvesse em mim algum radar
eu te rastreio pela luz do dia
e, à noite, te acompanho no sonhar.
Há mistérios de Amor nessa magia,
um invisível fio nesse par
processando uma cósmica energia
continuamente pronta a nos ligar.
Para mim, tua voz e teu chamado
não carecem sequer de um telefone,
pois se nota que estou sempre ligado.
Que privilégios tem o Amor, querida,
se nem precisas que eu te mencione
qualquer desejo meu em tua vida?
Jo®ge das Neves
![]()
I n f l a ç ã o d e a m o r
Uma inflação de beijos e de abraços
vai receber-te à porta ao me chegares.
Mandarei perfumar belos espaços
e sedas colocar em teus altares.
Meus carinhos (outrora tão escassos)
te afogarão por rios e por mares,
e ficarás mais presa por meus laços,
por jóias, por anéis e por colares.
Prometo-te melhor meu desempenho,
pois, ao chegares, estarei mudado
e verás como é novo meu desenho.
Essa inflação de Amor e Devoção
vai superar o nível calculado
nesses mistérios do meu coração.
Menção honrosa em concurso literário
promovido pela AABB-Recife
Jo®ge das Neves
![]()
M e u a v i ã o
Ela decola e pousa no meu peito
e vai ficando inteira neste hangar
chamado coração... Nenhum defeito,
nenhuma pane para eu relatar!
Seu lindo visual, de qualquer jeito,
tem qualidades que nem vou contar
: é um avião, modelo mais perfeito,
sem número de série ou similar.
Esse Avião em forma de Mulher,
de linhas arrojadas, moderninho,
não se expõe como um símbolo qualquer.
Cobrindo-se de náilon ou cetim,
é transparente para o meu carinho
e muito mais me encanta, em sendo assim!
Jo®ge das Neves
![]()
A d o l e s c e n t e a m o r
Já nem sei se sou fraco ou se sou forte
quando me perco pela estrada afora,
perdendo o rumo vindo do meu norte,
achando que meu sul muito demora.
A estrada, a ponte... Busco minha sorte
para encontrar o teu destino agora.
Há quem consiga, Amor? Há quem suporte
o anoitecer para esperar a aurora?
Apaixonado estou como um menino
no olhar aceso do primeiro Amor,
pura inocência, sonho cristalino...
Na minha estrada não existe espinhos,
mas sentimentos parecendo flor,
querendo olhar-te a pele... em meus carinhos
Jo®ge das Neves
![]()
L ú d i c o s
Mas esses olhos (se por mim vendados)
rodopiam nas pulcras fantasias,
para expressar desejos mais sonhados,
sem os temores e as hipocrisias...
Nesses instantes de prazer vivaz,
encanto lúdico de Amor nos traz
incontidos anseios de nós dois.
Fundem-se orgasmos no infinito, pois
ela, em meus braços, nesse céu navega
imensamente doce cabra-cega!
Jo®ge das Neves
![]()
D i s t â n c i a
Há entre nós tamanha afinidade
nas frases, cores, sonhos e manias
há um tamanho grau de virgindade
no proceder de nossas alegrias
há tamanha nobreza e majestade
na evolução de nossas fantasias
que o relógio, marcando esta saudade,
faz prosperar infindas nostalgias...
Na distância fatal tanto deliro
que tua imagem deita-se comigo
sugando-me suspiro após suspiro.
Esse delírio – eu sei – só vai embora
quando estiver chegando ao teu abrigo
quem vence tais distâncias e te adora.
Jo®ge das Neves
![]()
C l o n e d e m i n h a a m a d a
Querendo ser um dia premiado
não resisti à enorme tentação
de produzir um clone formatado
da minha amada... Louca inspiração!
Como autor desse feito inusitado,
de tal relíquia fiz exposição
mas conservei o original guardado
só para minha própria adoração,
que assim o clone dela evitaria
que se furtasse o original Amor,
nesse esplendor de sua geometria.
Sumiu a cópia. O roubo era fatal,
mas, em cuidados eu sou professor
: minha amada restou... sem ter rival !
Jo®ge das Neves
![]()
F e t i c h e d o b u s t i ê
Agita-me o elegante bustiê
que mais realça os seios tentadores,
nessa faixa justinha que, em você,
faz os mamilos serem... meus senhores.
Não preciso explicar nem o porquê
desses meus olhos neles, pecadores,
pois são pecados meus que ninguém vê
nesse fetiche cheio de sabores.
Com essa imagem impressa na retina,
procuro loucamente em cada esquina
ver você desfilando pela rua.
E nem sei mais como a desejo agora
: se usando o bustiê que me devora
: se peladinha... totalmente nua !
Jo®ge das Neves
![]()
Alcoólico anônimo do amor
O corpo dela, em sonhos modelado,
encho de vinho rubro, me abasteço
e, aos poucos vou ficando embriagado,
procurando-a no espaço, em meu tropeço.
Nos tropeços me foge o ser amado
e o vinho rubro faz o recomeço
do amor fugaz, bebido e consumado
nessa paixão sem voz, sem endereço.
Esse sonho curtido na ressaca
minha estrutura interna despedaça
e me corta lá dentro, como faca...
Sou alcoólico anônimo do Amor,
que se desfaz e deixa-me sem graça
nessa paixão que queima em minha dor...
Jo®ge das Neves
![]()
L e v e z a d o a m o r
A leveza do Amor se manifesta
em cada gesto, em cada olhar, tranqüilos.
Casam-se em nós as sugestões e estilos
e aquele encanto que não se contesta.
Sem ter quaisquer disfarces ou sigilos
o Amor está escrito em nossa testa
e estes poemas queres sempre ouvi-los
com o mesmo olhar e teu sorriso em festa.
Vivemos da poesia que há no Amor,
no mundo que nos mesmos construímos
com sentimento expresso e bem profundo.
Cada momento tem a sutileza,
na sutileza temos nossos mimos
e o Amor se manifesta na leveza
Jo®ge das Neves
![]()
Soneto de aniversário
No teu aniversário estou presente
como um presente teu ! Tanto é verdade
que vou chegando a ti, num de repente,
numa proposta de Felicidade.
E me faço qual jóia reluzente,
rico amuleto todo feito em jade,
importado perfume condizente
ou lembrança melhor em qualidade.
Virtualmente as flores seguirão
e se projetam pelo espaço afora
para chegarem logo à tua mão,
pois na embalagem minha tão modesta,
sou um poeta que também se arvora
querendo haja sorriso em tua festa.
Jo®ge das Neves
![]()
Céu aberto no motel
Louco de amor e de paixão me vejo
no espelho que me espia lá de cima,
quando, deitado, morro de desejo
esperando você, no melhor clima.
A nudez não nos causa nenhum pejo
nessa cama redonda que faz rima
nas voltas do amoroso realejo
desse tesão gostoso que me anima.
A ducha faz silêncio... Ouço-lhe passos
e vejo o corpo nu cheirando à flor.
Sinto, então, que os minutos são escassos,
para entrarmos no céu, tão loucamente,
nas delícias profundas desse amor ...
Ah, motel!... como o céu é diferente !
Jo®ge das Neves
![]()
Enquanto hover...
Enquanto houver mulher serei poeta
e falarei de flores, de alegria,
de pássaros cantando, de secreta
paixão que me alimenta a fantasia.
A fantasia a vida me completa
numa proposta límpida, sadia,
e disso faço, então, certeira seta
para expressar amores e poesia.
Amo o corpo e os neurônios da mulher
sendo Vênus, explícita, faceira,
inteira ao desfolhar o bem-me-quer...
E enquanto houver mulher inteligente,
que saiba ser sensível e brejeira,
serei poeta amando eternamente!
Jo®ge das Neves
![]()
A m o r n o c a b i d e
Quando um amor acaba, não lamente,
pois outro amor virá... Nosso destino
conseguimos que seja diferente
jamais cedendo ao choro e ao desatino.
Outro amor surgirá no de repente
como um presente novo e genuíno,
ao conseguirmos caminhar em frente
acreditando num saber divino.
Chorar comove, mas atrasa a vida
e nos dá uma imagem tão cinzenta
que o lamento a tristeza consolida.
O amor em nós dá frutos e progride,
mas, se um amor passou, deixe a tormenta
: pendure o amor passado, no cabide!
Jo®ge das Neves
![]()
B r i g u i n h a d e n a m o r a d o s
Pombinhos arrulhando nas alturas
vamos vivendo tão apaixonados
que parecemos tenras criaturas
longe do mundo, longe dos pecados.
A cada instante
sonhos e venturas
são carinhosamente relembrados
e renovamos sempre as mesmas juras
sem que fiquemos fartos e cansados...
Mas entre nós um desconforto existe
: se não te vejo, como fico triste !
: se não me vês, como padeces tanto!
E, se brigamos, são gostosas brigas
porque as palavras nossas são cantigas
ao compasso de um beijo em cada canto.
Jo®ge das Neves
![]()
D o c e v e n e n o
Tendre Poison
Esse perfume que teu corpo exala
Tendre Poison* balsâmico, suave,
de um paraíso traz o enlevo e chave
nesse vontade de acariciá-la.
Teu perfume não deixo que se lave
das minhas roupas... Guardo em minha mala
porque a lembrança tua não não se cala,
viajando teu cheiro em minha nave.
Teu poison conservo nas narinas,
dos poros retirando a tua essência,
para sonhar com elas... cristalinas!
Tendre Poison, veneno teu mais doce
que me parece um favo de inocência,
como esse amor só de inocência fosse...
*Em francês: poison (puazon)= veneno
Jo®ge das Neves
![]()
F e i t i ç o c u l i n á r i o
Há um feitiço nos ingredientes
e preparo de certas iguarias
: as mãos dela são mágicas, fluentes,
fazendo, ao cozinhar... feitiçarias!
Rola prazer no esmalte de meus dentes
e nas mucosas sinto as alegrias
dos paladares sempre diferentes
da mais perfeita das gastronomias.
Água na boca!... Vejo sobre a mesa
o apetitoso desfilar de pratos,
onde os sabores casam com a beleza.
Faz-se um fetiche quando ela cozinha
e me deixo vencer pelos olfatos
dessa mulher, em tudo tão rainha!
Jo®ge das Neves
![]()
N a m o r o à d i s t â n c i a
O namoro à distância tem magia,
traz romance e veladas emoções
que abastecem de sonhos nosso dia,
alimentando doces corações.
A paquera se espraia na alegria,
antídoto nas lutas e pressões,
quando uma simples frase é que alivia
o peso do trabalho e das tensões...
Viva a paquera,os beijos virtuais
nas cores que se aplicam sobre a face
quando os olhos enxergam muito mais.
Haveria mil páginas de glória
se cada verso meu aqui contasse
o que rola de encanto em nossa história.
Jo®ge das Neves
![]()
A u r o r a
“ Cantam festivos bem-te-vis” comento,
e o vento balança as folhas das amendoeiras,
(*) Preferi a ortografia original.
Seria “flamboiaiãs”, segundo o Dic. Aurélio.
Jo®ge das Neves
![]()
H i b e r n o d e v e z e m q u a n d o
De vez em
quando hiberno, fico mudo,
não componho poemas, emagreço,
deixo crescer a barba e, cabeludo,
desligo o telefone e o endereço.
De vez em quando afasto-me de tudo
querendo liberdade a qualquer preço,
e o coração, tornando-se miúdo,
acha que tudo afina-se em tropeço...
Essa fase, porém, é passageira,
e a recaída traz novo vigor,
reacendendo a chama da fogueira,
que o amor volta mais forte e confiante.
Então, me faço novo e sedutor,
poeta apaixonado e louco amante.
Jo®ge das Neves
![]()
MULHER, s i n ô n i m o VITÓRIA
A mulher,
desejosa de vencer,
vai à luta e conquista seus espaços,
trabalha, estuda, castra seu lazer
e até do amor protela os doces laços...
Às vezes nem se chega a compreender
quantas coisas os femininos braços
conseguem, corajosos, no saber
sobrepujar –se em prazos tão escassos,
que, heroína do século, faz-se ainda,
alma e corpo sedentos de conquista...
Eis a mulher, inteligente e linda,
enquanto os homens, pasmos na tolice,
vão engrossando essa frustrante lista
de fracassados donos da mesmice !
Jo®ge das Neves
![]()
Apenas sonho
Não lhe trago futuro nem passado...
Sou apenas presente sem valia
em seu espaço aos outros devotado
e eu, por isso, sem vez e serventia.
Comigo, nada! nada!... Triste nado
em minha praia enorme e tão vazia,
parecendo um robô eletrizado,
sem qualquer marca e até sem garantia.
Engraçado eu saber que é tudo assim
e persistir num sonho sem final,
vendo você fugir sempre de mim.
O meu presente escoa-se num ralo,
e o coração, batendo, passa mal,
porque vivo de sonho e nada falo.
Jo®ge das Neves
![]()
Tuas palavras
Bimbalham sinos quando tu me escreves
e me elogias sem eu merecer.
Tuas palavras são momentos leves
e, em cada letra, um toque de prazer.
Podem mensagens tuas serem breves
que o bimbalhar começa a acontecer
e sempre peço o que eu disser releves
se me expando no gosto do escrever.
As letras, as palavras, minhas frases
precisam do alimento que me envias
mexendo em meu sentido e em minhas bases...
Não me importa o teor de tuas linhas,
pois me trazem profundas alegrias,
bimbalhando eruditas ladainhas.
Jo®ge das Neves
![]()
E s q u e c e r
Esquecer? ... Esquecer limpa o destino,
remove traumas, rompe o nó do laço,
põe uma pedra sobre um desatino
ou sedução que rola pelo espaço.
É preciso esquecer o clandestino,
o mau momento, a borra e o bagaço
daquele insulto enorme ou pequenino
que nos feriu, mas não tirou pedaço.
É preciso esquecer o que não presta,
o que é mesquinho, tolo, desastrado
e o que estragou nosso sorriso e a festa.
É preciso poupar a nossa mente
desse vírus mutante e variado
esquecendo o que sai de certa gente!
Jo®ge das Neves
![]()
DIZ O SONETO
“ De amor e de paixão também se vive... ”
Verdadeiras palavras de outro vate?
Subi ladeira e superei o aclive,
levando minhas musas ao combate.
De repente, no topo me detive...
É um poeta do melhor quilate
com aqueles versos lindos!... Inclusive,
o que eu disser será um disparate.
Minhas musas concordam plenamente,
tanto mais que o poeta é respeitado
por seu talento imenso e competente.
Em minha veia um calafrio corre...
Mas aqui venho, meio acabrunhado,
dizer “ De amor também se sofre e morre ”.
Jo®ge das Neves
![]()
A m o r
p i s c i a n o
Emocional, sensível pisciano,
trago um radar em plena atividade
ligado na magia de algum plano
que se processa em nossa realidade.
Nenhum efeito mau e nenhum dano
decorre dessa minha faculdade,
nem me apresento como um tal fulano
metido a ter ... espiritualidade.
Mistificar jamais esse é meu lema
quando procuro dar certa assistência
ou o caminho para algum problema.
Sou apenas poeta e sonhador,
mas reconheço em Deus a Competência
para expressar o Verdadeiro Amor!
Jo®ge das Neves
![]()
Cristalina afinidade
Misterioso encanto
nos invade
quando acontece essa aproximação
com eflúvios de imensa lealdade
em qualquer hemisfério ou estação.
Amor seja a mais linda Afinidade,
aquela que nem tem explicação,
a que nos traz real felicidade
dentro d´alma, na mente e coração.
Às vezes esse Amor é um cristal
na transparência que à distância brilha,
inexplicável sim, mas natural.
Expõe-se a cada passo do caminho,
esse cristal brilhando em nossa trilha,
num afinado Amor tão comezinho.
Jo®ge das Neves
![]()
Levando a Fé
O Amor tem substância alimentar
e, afrodisíaco, constrói a vida
quando com afinidade faz um par
para uma estrada longa a ser vencida.
O percurso do Amor é salutar
numa alquimia plena e garantida,
quando nos pomos firme ao caminhar
levando a Fé no instante da partida.
Simbolismos no Amor são necessários
na afinidade nobre e proveitosa
contra os instintos nossos tão primários...
E é preciso saber que o Amor existe
mesmo em noite vazia e tenebrosa,
pois quem ama, do Amor jamais desiste.
Jo®ge das Neves
![]()
Soneto do Amor por hipotese
Hipótese é o que não é
mas que se afirma ser
só para ver se fosse, como seria.
Se tu fosses... serias simplesmente
hipótesemor e nada mais,
sentimento vazio, reticente
como notícia tola nos jornais.
Se tu fosses... serias procedente?
Serias nos meus braços matinais
aquela chama de mulher ardente
em seus anseios loucos e abissais?
Hipótese não é o que se afirma,
nem verdade que logo se confirma,
nem virtual imagem... Que seria?
Se fosses o que penso e o que te quero
terias no meu peito (mais sincero)
aquele Amor que nunca ... esfriaria.
Jo®ge das Neves
![]()
D e s a p e g o
Apago a imagem dela tatuada
em minha pele, dentro do meu peito,
nos poemas que fiz na madrugada,
pois cada sonho meu está desfeito.
Novas imagens colho pela estrada,
porque preciso amar de qualquer jeito,
colhendo em cada flor a namorada,
buscando especial amor-perfeito...
A cada verso faço terapia,
o desapego lento da paixão
que em minha vida mergulhou um dia.
Esse exercício bom de desapego
nos fortalece a mente e o coração
e, enquanto chega o amor, nos dá sossego.
Jo®ge das Neves
![]()
N u a g e
Ela passou passando como passa
a nuvem solitária e sem destino
em céu azul, e o vento que me enlaça
sopra, inocente, um sopro repentino...
Filosofia?... Vejo certa graça
nesse passar, pois sou como um menino,
um aprendiz erguendo sua taça
à nuvem que passou como um ensino.
O que passou, passou como devia,
e quem sou eu, isento de poderes
para inventar qualquer filosofia?!
Olhando o céu azul sem novidade,
guardo apenas meus sonhos e prazeres,
que a nuvem nem sequer deixou saudade.
Jo®ge das Neves
![]()
DATA VENIA
Como amigo sou ótimo, perfeito;
como inimigo eu sou muito melhor,
pois conservo comigo um certo jeito
e as regras próprias tenho-as de cor.
Sei muito bem que exibo algum defeito,
mas jamais eu procuro ser pior
: as amizades guardo no meu peito
e os amigos conservo ao meu redor.
Mas se alguém, sem motivo e sem razão,
aplica bofetada no meu rosto,
me pisa o pé, me fere o coração
ou inventa mentiras sobre mim,
então eu sinto aquele imenso gosto
de ser feroz, mostrando-me ruim!
Jo®ge das Neves
![]()
Maluco-beleza
Como animal liberto e que passeia,
vou pela vida afora sem coleira,
liberdade correndo em minha veia
buscando a estrada livre e prazenteira.
Evito o compromisso que chateia,
pessoa que de forma lisonjeira
me quer impor a própria agenda cheia,
tentando o meu viver dessa maneira.
Como um corcel selvagem pelos prados,
busco viver na bela natureza,
sem que meus passos sejam controlados.
Eu assumo que sou doido varrido
e, sobre mim confirmo essa certeza
: sou também de talentos desprovido
Jo®ge das Neves
![]()
Sonetos Meus
I
Sonetos Meus são minhas fantasias,
às vezes realidades, devaneios,
algumas coincidências ou manias
com falsos conteúdos ou recheios.
Sonetos Meus são temas dos meus dias,
são princípios, são fins ou são os meios,
são verdades, mentiras, ousadias,
são bocas que beijei, são galanteios...
Sonetos Meus não nascem da rotina,
mas da cabeça minha de poeta,
pingando verso a verso a parafina.
Às vezes sou um mito ou semideus;
por vezes sou espécie de profeta
quando me inspiro nos Sonetos Meus.
II
um cármico poder incontrolado
um elo residente no passado
o X de uma equação, um teorema.
A Super Mãe tem uma força extrema
no seu modo de ser teatralizado
dominando com simples resfriado
para, então, resolver algum problema...
Super Mãe segue a filha e suga o filho
pelo amor extremado que exercita.
Cuidando dessa cria em mesmo trilho,
não desgruda, roubando-lhe os espaços,
e apresenta-se sempre muito aflita,
cada vez apertando mais os laços.
III
Sabor Mulher, sem gosto de cigarro,
sem me passar o odor da nicotina,
quando a tenho em meus braços, quando agarro
para beijar-lhe a boca que fascina...
Quero beijar a boca sem pigarro,
quero sentir prazer pela narina
e não aquele vômito bizarro
de quem beijou um cara lá da esquina.
A boca de uma fêmea, perfumada,
com gostinho de mel ou de ambrosia
é sempre deleitosa e desejada.
Recuso-me a beijar boca qualquer,
pois no beijo começa a fantasia
quando sinto, no amor, Sabor Mulher!
IV
Show Moderno de amor, desejo ardente,
beijos de fogo, coração em brasa
transpirando paixão sobrevivente
já quase sepultada em cova rasa...
Refaz-se num processo adolescente
aquele amor que um dia bateu asa,
quase morrendo à míngua, dissidente,
longe do ninho e do calor da casa.
O Show Moderno não repete as falhas;
traz o romance pleno e revisado,
sem remorsos e o peso das cangalhas.
Aprofunda-se o amor e faz-se eterno,
porque sabendo quanto foi sonhado,
ele é mais que a paixão: é Show Moderno!
V
Sádico-Moralista, ele é cruel
no julgamento. Ataca sem piedade
achando necessário seu papel,
quando, aquilo que vê, irado invade.
Como um estranho ser, Pantagruel,
sente prazer e até felicidade
em comer, como flácido pastel,
tudo o que tenha criatividade.
Critica duramente sem razão,
metendo-se no assunto como um deus,
e, até sem ler, expressa opinião.
De repente, fumega num cigarro
e, apesar dos oitenta jubileus,
abre a boca soltando seu... escarro!
VI
Sem Medo vou compondo meus quartetos
e, rimando no esquema bem nutrido,
vou chegando, veloz, aos dois tercetos
pois meu tempo jamais será perdido.
Os versos não são brancos nem são pretos...
Na verdade os componho em colorido
para cumprir a saga dos sonetos
nascidos da razão ou da libido.
A crítica não sei o que fará...
Pouco importa aquilo que dirão
os que mal sabem ler o bê-á-bá.
Quem não gostar de mim fique em segredo,
porque farei soneto em profusão,
independentemente, assim: Sem Medo
Jo®ge das Neves
![]()
MAKTUB
Eu sei que estava escrita nas estrelas
a história deste Amor (eu sei),
e que as poesias minhas escrevê-las
é mais questão de Amor (é como lei).
Não me importa que possas esquecê-las
se de compô-las nunca cessarei.
Se ouvi-las não quiseres (e nem vê-las),
assim mesmo, inspirado, escreverei,
porque este a Amor em livro restará,
e livre deste Amor serás jamais,
sabendo que outro Amor igual não há.
Assim, não penses nunca me dizer
que eu sempre evite amar-te assim demais
ou que este Amor não possa acontecer...
Jo®ge das Neves
![]()
POLICROMIA
Se eu mais dissesse aquilo me inspira,
se eu mais cantasse o que a emoção me diz,
se o coração que por você delira
conseguisse mostrar-se mais feliz.
Se eu fosse mestre agora nessa lira,
mas por amar tornasse-me aprendiz,
este meu estro, que demais suspira,
seria um luminoso chafariz
que na praça do centro deste mundo
só jorraria flores, muitas flores
para expressar o meu amor profundo,
e por assim brotar tanta poesia
espargiria versos multicores
da mais transcendental policromia.
Jo®ge das Neves
![]()

A caminho do desejo
Braços no ar!... Mãos apalpam o será,
e o que será ela nem sabe agora.
Em pensamentos seus desejos há
e tais desejos plenos há lá fora...
Sonha e deseja aquele toque já,
que no obscuro quase até implora,
e é natural que cabra-cega vá
nesse erotismo que ela tanto adora.
N´ alma, seu pensamento e coração
estremecem no gozo da procura
das sensações sonhadas que virão.
Prontos, os lábios tremem de desejo
em busca de mistérios e aventura,
que há o caminho e que haverá no ensejo.
Crédito da imagem em
http://leebroering.blogspot.com/
blog em que sou seguidor
Jo®ge das Neves
![]()
Os cinco sentidos
Com os olhos vendados se inicia
a mágica viagem do prazer,
acontecendo, enfim, a fantasia
num ritual que faz anoitecer.
Em noite se transforma a luz do dia
deste mundo, encantando o próprio ser
na entrega, sonambúlica e macia,
num fetiche de nada poder ver...
Sem a visão apura-se o olfato,
amplia-se a audição ao infinito,
diluindo-se os bloqueios pelo tato.
Sabores trazem novo paladar
num calafrio pelo corpo aflito,
quando a libido entrega-se a sonhar...
Jo®ge das Neves
![]()
Na toca da noite
Foi na toca
da noite enluarada
que sonhei lindos
sonhos, como um deus.
Lá estava meu bem
toda enfeitada
com os encantos que
nunca foram meus.
Ela é rainha (nunca
destronada!)
e há muito tempo
foi (me dando adeus)
para viver de mim
sempre afastada,
deixando-me viver
entre os plebeus...
A pálpebra da noite
se fechou
e já nem sei aqui o
que mais sou
na noite enluarada
que se apaga.
Fechou-se o meu
sorriso para o mundo,
e meu olhar,
outrora tão profundo,
não mais alcança o
sonho que me afaga.
Jo®ge das Neves
![]()
Alcoólico anônimo do amor
O corpo dela em sonhos modelado,
encho de vinho rubro e me abasteço,
e aos poucos, me sentindo embriagado,
procuro-a pelo espaço em meu tropeço.
Desse modo me foge o ser amado,
e em mim o vinho faz o recomeço
de amor fatal, bebido e consumado
em tentativas... mas sem endereço.
Essa paixão curtida na ressaca
a estrutura do corpo despedaça
e me corta lá dentro como faca.
Sou alcoólico anônimo do amor
que se desfaz no vinho e na fumaça
desse vulcão ardendo em minha dor.
Jo®ge das Neves
![]()
Chuva e vento
Uma chuva romântica, lá fora,
reacende o desejo em nossa cama,
quando a paixão em nós se revigora,
muito própria e ao gosto de quem ama.
Tanto prazer nos chega aqui e agora,
tanta ousadia de afetos se derrama,
que sinto o alaranjado de uma aurora
brilhando em mim como crescente chama.
Ronrona meu amor, como gatinha
já no cio, em meu peito que palpita,
e ela, manhosa, assim em mim se aninha...
E o que mais pode haver nesse momento
em que o universo todo em nós se agita?
A chuva cai lá fora. Somos vento !
Jo®ge das Neves
![]()
Minh´alma
Minh´alma vem tangida pelo vento
e o soneto viceja no papel,
carruagem de sonho e sentimento.
Por vezes, no galope de um corcel,
minh´alma não controla o próprio intento
e rodopia nesse carrossel
quando um desejo cálido acalento
ardendo por estradas, num tropel.
Minh´alma faz enredo à luz da lua
passeando nas noites de luar
surpreendentemente louca e nua...
Mas retoma minh´alma ao seu recato
e apaixonadamente põe-se a amar
beijando simplesmente teu retrato.
Jo®ge das Neves
![]()
♥
Ela, simplesmente Ela
♥
Ela é mais linda
quando briga ou pensa,
pois não consegue
disfarçar que é bela:
mesmo zangada,
enraivecida ou tensa,
jamais percebo uma
feiúra nela.
Uma mecanismo nela
recompensa
o mal que possa
entrar pela janela...
A vida dela é de
beleza intensa,
por isso estou
sempre feliz na dela.
Ela é gata,
mulher... e até menina!
Sabe sorrir como
sorrisse a flor,
e sua pele é
porcelana fina.
Ela não fuma (o
gosto é de mulher)
e porque beija com
profundo amor
eu faço tudo o que
Ela mais quiser.
Jo®ge das Neves
![]()
Sagrado e Profano
O Sagrado e o Profano... Há simplesmente
as sutilezas das polaridades
em contraste perfeito e coerente
na seqüencia de Mitos e Verdades.
O Branco e o Preto somam-se em corrente
para que surjam belas claridades,
sem o que mais seria improcedente
nossa procura por afinidades...
Pecado no Profano?... Se ele existe
é porque DEUS o quer sobre o planeta,
pois o Sagrado é, mais das vezes, triste...
Só mesmo DEUS, Perfeito e Soberano
(por não ser velho e por demais careta)
permite sobre a Terra o que é... Profano!
Jo®ge das Neves
![]()
Quantos sonetos mais?
O soneto me inspira e disciplina
a verbalização do pensamento
surgindo de uma forma cristalina
pelos quatorze versos... Num momento
a idéia docilmente se confina,
e as rimas vão surgindo sem tormento
por quadras e tercetos. A neblina
da inspiração dissolve-se no vento.
Nenhum retoque é necessário agora
em mais um filho dessa prole imensa
que a Inspiração, alegre, comemora.
Quantos sonetos mais farei na vida?
Cada soneto é lucro e recompensa
pela paixão poética nutrida.
Jo®ge das Neves
![]()
Segurança
Você precisa ter um segurança,
andando assim gostosa pela rua,
com seu corpo mostrando essa pujança,
quando você desfila quase nua.
Os seios são dois frutos de bonança
com cheiro de tesão, e a carne sua
mostra o pecado que um tarado alcança,
levando essa beleza para a lua!
Aceite a proteção que lhe proponho
e entregue-se ao meu braço protetor,
que lhe darei exércitos num sonho.
Serei mil guardas e outros mil soldados
Para cobri-la toda só de amor,
quando eu levá-la para os meus pecados!
Jo®ge das Neves
![]()
Podolatria
Dizendo, com meus beijos, que te adoro,
beijo-te os pés de deusa e de rainha
e procuro deixar em cada poro
aquele amor que o beijo meu sublinha.
De tanto amor, teus pés até devoro
mesmo guardados dentro da botinha,
e nem o couro frio e inodoro
este prazer em mim desencaminha.
Artelhos, tornozelos, calcanhar
transformam-se num mundo virtual
do indizível prazer que não tem par.
Literalmente ponho-me a teus pés
e, colocando-te no pedestal,
danço em teu palco múltiplos balés!
Jo®ge das Neves
![]()
Musa preciosa
Sou bem casado, sou feliz, sou pleno
e encontro na Mulher a Inspiração,
para que o mundo, às vezes, tão pequeno,
cresça em beleza e nova dimensão.
Minha Mulher é céu e mar sereno,
minha Deusa de Luz e Adoração,
meu vício, meu pecado e meu veneno,
meu ritual, minha religião!
Ela é Musa-Maior, minha Poesia,
a egrégora que trago de outras vidas,
aquele Amor tão grande...que é mania!
Sou bem casado, sou feliz, sou prosa
e desfilo por amplas avenidas,
mostrando minha musa preciosa.
Jo®ge das Neves
![]()
Tela do amor
Quando escrevo um soneto, me apaixono
por ele, fico a repeti-lo, o adoro,
na madrugada o leio e perco o sono,
sentindo agir o ritmo em cada poro.
Depois relaxo e durmo no abandono,
sonhando em cada verso, que devoro,
e me tornando dele, amante e dono,
pássaro meu, explícito e canoro.
Deixo esquecidos meus anteriores,
aqueles que adorei profundamente,
agora desprezados... ex-amores?
Mas um dia, no meu computador,
os releio na tela e, de repente,
voltam paixões que guardo em cada amor.
Jo®ge das Neves
![]()
Não te esqueças...
Não te esqueças jamais de ser feliz,
de sorrir para a vida e para o amor,
de traduzir mensagens mais sutis
que o milagre do dia vem compor.
Cada momento canta em seu matiz,
cada palavra ouvida traz a cor,
e importa decifrar aquele X
na solução do que nos cause dor...
Não te esqueças, porém, que tudo passa
e que o momento bom tende a voltar
como o sol rebrilhando-nos de graça.
Não te esqueças de mim e da Poesia,
quando a noite for triste ou de luar,
que a teu lado estarei... em sintonia!
Jo®ge das Neves
![]()
Mutável
A cada dia sou feliz de um jeito,
e o próprio jeito meu é diferente:
sou mutável, não tenho preconceito,
mas prefiro pessoa... inteligente!
Sei muito bem bancar homem perfeito,
mas minha pose nem é permanente:
às vezes sou sincero e sou direito;
outras vezes, maroto e reticente.
Tudo depende do que vou transpor,
da pessoa cruzando meu caminho,
daquela frase de interlocutor.
Seja o que for, acho o meu dia lindo,
porque me trato com o maior carinho
e, se brigar com alguém... beijo sorrindo.
Jo®ge das Neves
![]()
Sonhos ciganos
Meu coração viaja qual cigano
por estradas sem fim e não se cansa
de sonhar como sonha um pisciano,
em simbólica sede de mudança.
Ás vezes mudo a estrada, e o oceano
mostra, lá no horizonte, uma esperança
que talvez se transforme em novo engano,
pois, no mar e na estrada, há semelhança.
Mas sonhar é preciso, e é salutar
soltar o bom cigano espaço afora,
ou deixar que navegue em rio e mar...
Meu coração, explícito e valente,
anoitece sonhando em plena aurora,
cigano, erradio, adolescente!
Jo®ge das Neves
![]()
Fuga erótica
A provocante sensualidade
no cérebro registra um quadro ameno
para uma fuga da realidade
neste mundo, nem sempre tão sereno.
A fuga erótica é felicidade
chamando-nos ao clima, com aceno
que nos faz delirar e nos invade
com seu mistério quase extraterreno...
É saudável viver uma ilusão
quando a estrada de volta está pertinho
para amainar as lavas do vulcão.
Expulsa-se do peito essa energia
e retorna-se, estável, ao caminho,
após o gozo em doce terapia!
Jo®ge das Neves
![]()
Top less
Não me importa que mostres o teu busto
aos olhares carentes. Afinal,
acho que é certo e julgo muito justo
ostentares o belo ao natural,
saber-te desejada! Nem me assusto
se algum dia teu “lesse” for total,
e esse corpo, que estimo de alto custo,
aparecer, de graça, a algum rival.
Podes até posar para escultores,
tomar banho de mar sem sutiã,
ser paisagem esplêndida de um fã.
Só te peço silêncio sobre amores
(em segredo guardado no teu peito)
porque muito te adoro... e de que jeito!
Jo®ge das Neves
![]()
Miragem
Procuro-te na areia do deserto
de tuas embutidas sensações.
És a miragem! Quando chego perto,
apenas me rodeiam frustrações!
Tuas pegadas, sem destino certo,
são passos em diversas direções,
e o coração (que eu mais julgava aberto)
é tenda desprovida de emoções...
Meu camelo de sede já morreu
nessa viagem louca e muito triste,
qual pesadelo que me aconteceu.
Caravana de amor, sou desatino
que já não sabe mais que o sonho existe,
nem que as miragens são o meu destino
Jo®ge das Neves
![]()
Pigmeus
... pois nada é novo e nada é superado
neste mundo de tantas ilusões:
o que será futuro ou foi passado,
se o presente se faz de opiniões?
Parâmetros, roteiros, direções,
dogmas... são páginas de um só enfado
nessa busca incessante dos anões
de que nosso planeta é povoado.
Bastaria, com rasgos de humildade,
nos ombros de um gigante pôr o pé,
para vermos mais longe na verdade.
Acontece que somos arrogantes,
fingidores de luzes e de fé,
ou pigmeus que se passam por gigantes!
Jo®ge das Neves
![]()
Medos e inseguranças
Medos e inseguranças são barreiras
que nos prendem ao chão das incertezas;
são flechas atingindo-nos certeiras,
são miasmas minando-nos defesas.
Os medos são as almas feiticeiras
levando-nos às duras estreitezas,
queimando-nos em tórridas fogueiras,
quando nos faltam luzes e firmezas.
Por isso, corte o medo na raiz
com a tesoura mágica e divina
para que sejas firme e mais feliz.
O medo nossos passos atrapalha
e gera a insegurança repentina,
fazendo-nos perder qualquer batalha!
Jo®ge das Neves
![]()
Roupagem
A pele pode ser de qualquer cor,
pois estará em moda eternamente
no evolutivo estágio do valor,
em algum ponto aqui do continente!
A pele, com seus poros e calor,
não precisa vestir-se, de repente,
para que aumente seu real valor
no cômputo geral do ser vivente.
Nossa pele é apenas o limite
que nos insere na realidade,
parecendo existir alguma elite
que dependa da roupa que se veste
para exibir, com certa falsidade,
algum valor (sem peso) que lhe reste...
Jo®ge das Neves
![]()
Sem mesmice
Façamos nosso amor repaginado
para que não comece a envelhecer.
No amanhecer carece ser lembrado
nos beijos provocados com prazer.
Abraço afetuoso e prolongado,
exatamente como deve ser,
dê seqüência ao dia anunciado
com novo encanto até o anoitecer.
Assim o amor prospera e não se cansa,
fazendo horas e dias, anos, tudo,
ser uma vida linda, doce e mansa.
O amor sem a mesmice, sem rotina
é colchãozinho fofo de veludo,
tesouro inesgotável... vitamina!
Jo®ge das Neves
![]()
Vestir fantasias
As fantasias sejam bem vestidas,
tiradas dos cabides que há na mente,
principalmente aquelas, preferidas,
pelos canais de enfoque diferente.
Há fantasias fora das medidas,
pelo padrão esdrúxulo, indecente,
mas também essas, mesmo descabidas,
vão liberar aquilo que se sente.
Na gangorra de nossas emoções,
necessário é ser menos radical
e internamente equilibrar padrões,
jamais negando ao próprio interior
a busca de um prazer eventual
numa conquista nova e multicor.
Jo®ge das Neves
![]()
BLANCHE
... toujours pour moi!
O meu amor é Blanche, é de Paris,
tem os cabelos louros, muito esguia,
olhos felinos, clássico nariz
e uma convinha em risos de alegria.
“Je t´ aime” – é doce ouvi-la se assim diz
no seu francês com lábio em melodia,
com certo quê no jeito dos quadris,
arfando o peito que me delicia...
Por que será que a França é tão distante
e me obriga a voar espaço afora
para ter Blanche e ser o seu amante?
... Mas distância inexiste se há vontade
e o coração frenético namora
com esse desejo de felicidade.
Jo®ge das Neves
![]()
Tango, Soneto, uma história
“... ensueño de amor y adoración”
http://www.youtube.com/watch?v=Aceyu4RW2Ts
Seriam vãs quimeras nosso amor
se nos perdêssemos na adolescência
quando te conheci ainda em flor,
menina no começo da existência.
Seria este poema a minha dor,
não apenas de um tango a influência
se toda a história fosse de amargor
marcando em minha vida tua ausência.
Mas a Vida traçou-nos o caminho
e nossos belos passos juvenis.
Pedra por pedra, espinho após espinho
vencemos juntos para o matrimônio.
O enredo enfim tem final feliz
e até as bênçãos tem de Santo Antônio.
Jo®ge das Neves
Ilustração musical
Tango POEMA(1925)
Music: Mario Melfi
Lirics by Eduardo Bianco
Canta Roberto Maida
com Orquestra de Francisco Canaro
A primeira vez que ouvi esse tango foi em novembro de 1950.
Até hoje me arrepia ouvi-lo.
http://www.youtube.com/watch?v=Aceyu4RW2Ts
![]()
AMOR EM VENEZA
Fostes comigo ao carnaval... Veneza
nos fez viver mistérios e alegrias
numa cidade em que passamos dias
em gôndolas de sonhos e beleza.
A fantasia linda que vestias
no tom vermelho dá-me essa certeza
de que vivemos numa realeza
de encantamentos e de fantasias...
Foi sonho realizado. Especial
foi transgredirmos fatos de uma história
do nosso Amor em clima medieval.
Nas sonolentas ruas passeamos
e deixamos gravadas na memória
as madrugadas em que tanto amamos.
Crédito da ilustração
em: www.bbc.co.uk/.../venetian_masks_gallery.shtml?9
Jo®ge das Neves
![]()
VALE LEMBRAR
DIREITOS AUTORAIS
que
são protegidos
pela
Lei nº 9610/98.
Violá-los é crime estabelecido
pelo artigo 184 do Código Penal Brasileiro.
NÃO COPIE SEM DIVULGAR A AUTORIA
