NUVENS PRIMAVERIS
poesias de adolescências
Por assim dizer
minha vida de poeta
iniciou-se
em
1945
(aos 13 anos de idade)
quando cursava o curso ginasial
(atual 2º ciclo)
no
COLÉGIO PEDRO II.
Muitos dos poeminhas se perderam
exceto aqueles que reuni
em
CADERNO
intitulado
NUVENS PRIMAVERIS
Também não se perderam
aqueles versos publicados
na
Revista
SIMBOLO
editada pelo próprio CPII
*
No 1º ginasial já se aprendia latim
Influenciado por isso,
o primeiro poema escrevi intitula-se
PUELLA QUAM VIDI
(a garota que eu vi)
Para matar as saudades
fazer versos comecei.
Sem muitas felicidades
nestas rimas me inspirei.
Não sorria, não cantava,
só fazia suspirar
e que tristeza encontrava
nos tempos do verbo amar.
Nas lutas por esta vida
eu nem tinha animação,
mas achei força perdida
e findei com a solidão.
Num olhar e nada mais
encontrei inspiração
capaz de matar meus ais
e alegrar meu coração.
Não há portanto razão
pra que eu fique triste agora
posto que meu coração
já nem se lembra de outrora.
É de outrora e não de ti!
Não decidas sem pensar,
pois de ti nunca esqueci,
que és minha luz, meu cantar.
Jo®ge das Neves
1945
TRÊS DE CADA LADO *
Há pouco tempo sonhei
que tu havias me dado
seis beijinhos que gostei
sendo três de cada lado
E com essa doce ilusão
eu fiquei apaixonado,
seis voltas no quarteirão
sendo três de cada lado
Nem assim eu te encontrei
e fiquei tão perturbado
que seis lágrimas chorei
sendo três de cada lado
Mas agora que te vejo
eu estou todo animado.
Dar-te beijos eu desejo
sendo três de cada lado
Jo®ge das Neves
1946
2° ginasial
*
O PREGUIÇOSO
- monólogo- *
Eu sou na vida um simples preguiçoso
e da preguiça eu tenho o extremo gozo,
Nada faço, porque senão me canso
e, depois, é maior o meu descanso.
Eu sou bem gordo, forte e corado,
porque meu tempo, assaz metodizado,
faço questão que seja respeitado.
Só me levanto quando o sol se esconde
e ás vezes, quando a lua nem sei onde,
lá no céu já cansou de transitar.
Vejo, então, que está certo o meu pensar:
“Por que levar a vida a trabalhar?”
Desde que nasci, tudo já existia
: o céu, o sol, a lua, a estrela guia,
as árvores, as pedras, as riquezas;
enfim, já encontrei todas as belezas
sem que força jamais desperdiçasse.
Talvez nem mesmo vê-las eu pensasse.
o pensar deixa a gente fatigado,
faz ficar o cabelo esbranquiçado
e depois qual será o seu proveito?
Se ao nascer encontramos tudo feito,
o pensar nem devia existir!
Dizem que ele assegura um bom porvir;
mas este, mesmo sem ele, há de vir!
outra coisa também que não me agrada
é ter a vida aos livros agarrada
Há pessoas que passam o dia inteiro
agarradas como a um companheiro
companheiro sim, porém é mudo,
por isso, me enjoa o tal de estudo.
Temos que ler, prestar toda a atenção,
o que me causa grande amolação.
Muito melhor seria se falassem
e se o que está escrito interpretassem.
Eu poderia, assim, refestelado
em cima de um sofá, despreocupado,
aprender sem que nada me amolasse,
sem que fazer trabalhos precisasse.
Mas... já falei bastante até agora,
e, por isso já é tempo de ir embora.
Vou dormir, numa cama vou deitar
e nem sei quando irei me levantar,
pois é esta a melhor norma da vida,
uma vida que espero merecida.
Jorge das Neves
1948
4° ginasial
* Arcílio Papini, então meu professor de língua portuguesa, acabara de ensinar o termo monólogo . Como dever de casa Preguiçoso foi o tema da redação como dever de casa. Na aula seguinte, ao apresentar-lhe o trabalho feito em versos, o professor meu deu parabéns e mandou que eu declamasse perante a turma. Assim publicamente debutei como poeta.
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1949
1° ano do Curso Clássico
Aqui está o que restou do meu uniforme quando ingressei no curso clássico.
Iniciou-se o período em que já amadurecendo
na feliz convivência
com novos professores e colegas de turma
ingressei
no
Grêmio Científico e Literário Pedro II.
Nessas atividades escolares
por indicação
do
Professor Carlos Torres Pastorino
(meu professor de latim nas 3 séries do curso clássico)
através do Grêmio
passei a ministrar aulas suplementares de latim
para turmas da primeira séria ginasial com alguma dificuldade na matéria.
Também a convite
do
Professor Pastorino
(ilustre poliglota)
tive a honra de freqüentar com ele a mesma turma
do Curso Elementar de Esperanto
na Federação Espírita Brasileira
A FASE LITERÁRIA
em
ESPERANTO
lhes apresento noutra bandeira deste site.
Na fase mais adiantada no Curso Clássico
alguns poemas meus foram divulgados
através da Revista SIMBOLO editada pelo CPII
Alguns dos poemas publicados
durante o Curso Clássico (turmas CA).
A Revista SÍMBOLO era o órgão de divulgação
do Grêmio Científico e Literário Pedro II
AVANTE !
A meus colegas de estudo
Meus colegas, companheiros,
que do estudo, vanguardeiros,
vão levando a palma e a glória,
por nossa Pátria estudemos,
no seu futuro pensemos
para o bem de nossa História.
Sigamos!... São bem mais fortes
os que surgem nas coortes
com ricas inspirações...
O fuzil ou fere ou mata,
e o grande laço desata
da concórdia entre as nações.
Com a cultura, com o saber,
podemos sobreviver
à mais forte tempestade.
As ciências são os elos,
os portadores mais belos
da mais sã Fraternidade.
Com fé e amor pelo estudo,
por que não aprender tudo
com entusiasmo profundo?
Perguntem!... Dirá a história
que os nomes de maior glória
cursaram “Pedro Segundo!”
E o nome deste Colégio,
que é ímpar, honrado e egrégio,
levemos como estandarte!
Sejamos estudiosos,
pois em dias gloriosos,
Seremos um baluarte!...
Jorge S. das Neves
2º CA * 1950
GUERRA ÀS PÁGINAS NEFANDAS
“É tempo de compreendermos e combatermos, com rigor,
a influência nefasta das histórias em quadrinhos
e das revistas indecorosas que corrompem a mocidade”
- Eis nosso grito de alerta.
Tais como germens daninhos,
as histórias em quadrinhos
vão roendo os sentimentos
do caráter que se forma
: os “ gibis” fogem da norma
e não são divertimentos!
São mortes, ciúmes, torturas...
que despertam nas criaturas,
inda jovens, a maldade
: só revelam barbarismo,
não há gestos de altruísmo,
nem tão pouco humanidade...
Vamos sanar este mal!
Há leituras que, afinal,
divertem, sem ser nocivas.
Cumpre aos pais ser rigorosos,
conselheiros cuidadosos
das leituras instrutivas.
Displicência é crime feio!
Cada jovem é o esteio
no porvir de uma nação.
Façamos as propagandas:
GUERRA ÁS PÁGINAS NEFENDAS.
A moral tem salvação !
Jorge S. das Neves
3º CA * 1951
R E D E N Ç Ã O
Vencer a cada passo, em luta gloriosa,
a grande imperfeição dos nossos sentimentos;
ter força em suportar os graves sofrimentos,
se espírito sereno e de alma esperançosa.
Sorrir cheio de Fé, em face dos tormentos,
sonhando a Luz do Céu, na aurora radiosa;
dar sempre a cada irmão, a esmola caridosa,
que abranda a sua dor e os seus padecimentos.
Amar fraternalmente os próprios inimigos
e a todos perdoar ofensas e castigos,
em si exterminando os germens da vaidade,
é ter nas próprias mãos a chave do Ventura,
que afasta o negro véu e mostra o que fulgura,
nos páramos de Luz e Paz da Eternidade!
Hoje em dia avalio que este soneto traz forte influência
do meu Mestre de Latim, Prof. Carlos Torres Pastorino,
intelectual espírita por quem eu tinha forte amizade.
Jorge S. das Neves
3º CA - 1951
RESPOSTA À “CRÍTICA MODERNISTA”
Quidquid tentaba versus erat: OVÍDIO *
Tudo aquilo que eu tentava dizer fazia-se verso.
Tenho encontrado tantos derrotistas
procurando meus versos destruir
por lhes negarem mínimas conquistas,
e eu nem os chamo “Pérolas de Ofir”...
Se não tenho talento dos artistas,
deixem-me calmamente produzir:
eu não almejo as glórias imprevistas
que me cubram de louros no porvir.
E se eu escrevo assaz desajeitado
nesse meu verso tão cadenciado,
é porque assim nasci e porque sinto.
Não me importa o que digam. Na verdade,
sei versejar com tal facilidade
que não deturpo idéias e não minto.
*A citação em latim foi acrescentada ao original
pelo Prof. João Baptista de Mello e Souza,
catedrático de História e diretor-supervisor da revista.
De minha parte entendo que tal acréscimo resulta de discreto elogio ao poeta.
O professor, com a citação , demonstra reconhecer a espontaneidade dos versos.
Jorge S. das Neves
3º CA - 1951
*
Celso Cunha
filólogo e ensaísta
1917-1989
foi o ilustre professor meu durante os 3 anos do curso clássico.
A ele devo todo o conhecimento meu de literatura
desde os cancioneiros da Idade Média até as Escolas Modernas.
Lembro-me da dificuldade que eu tinha de acompanhar-lhe
os preciosos conhecimentos que transmitia
em razão de minha própria deficiência auditiva de nascença.
Por isso, em suas aulas, sentava-me sempre na 1ª fila
e bem diante dele.
Aqui a quadrinha que compus durante uma de suas aulas
Quando falas, Celso Cunha,
do silêncio vozes furtas
: para ouvir-te só usando
um ouvido de ondas curtas.
Um dos colegas de turma
fez chegar às mãos do professor a pequena sátira
que para mim valeu as atenções dele para os incipientes versos de minha autoria.
( Celso Cunha tem belíssima biografia no Google )
*
Início do namoro
1950
1º a c r ó s t i c o
Minha amada Marilena
Amada de longos anos
Regalo meu, vida plena
Inspiração dos meus planos
Linda face do meu dia
Estrela sempre a brilhar
No teu nome principia
Apoesia que eu cantar.
Mais tarde inventou-se nova “ profissão ”
A PROFISSÃO NAMORADA
certa vez foi INVENTADA
por quem nos quer enganar.
Talvez engano BENDITO,
porque também ACREDITO
que GOSTOSO é naMorar.
Tenho
Minha
NAMORADA,
eternaMente
ADORADA,
seMpre
linda, inteligente.
Não é loura, neM
Morena,
teM
a conduta serena
e
Me
fala doceMente.
O noMe
dela não digo,
Mas
sua
LETRA
eu abrigo
na palMa
da
Minha
Mão
: é o
M
beM
escrito,
Maravilhoso
e bonito
que
Me
adoça a eMoção
!
Maria?
Marta?
Marcela?
É
Moça?
virgeM?
donzela?
Não
Me
venhaM
perguntar...
O noMe
dela é bendito
e por ser o
Mais
bonito,
o segredo vou contar.
Certa vez foi INVENTADA
a PROFISSÃO NAMORADA
por queM
nos quer ENGANAR.
Talvez engano bendito,
porque taMbéM
acredito
que GOSTOSO É NAMORAR
...
♥Marilena♥
♥
12/junho
♥
Dia dos NaMorados
JO®GE DAS NEVES
poeta@infolink.com.br
R O D O P I O
Nosso amor foi big-bang, uma paixão
o amanhecer universal em nós,
uma estrela cadente, uma implosão
nos alcançando o coração veloz.
Essa implosão de amor foge à razão,
pois não se explicam intrincados nós,
nem termômetros loucos no verão,
nem vertical mergulho de albatroz.
O nosso amor foi à primeira vista,
um impacto no olhar, uma certeza
escrita nas estrelas, fatalista!
E quanto dura o meu amor primeiro!
Novamente Cupido, com destreza,
Foi big-bang, foi mais ágil, foi certeiro...
Jo®ge das Neves
MINHA HISTÓRIA
Vivo de amar e sou feliz amando,
qual rouxinol trilando num jardim.
A minha amada é doce no comando,
que o amor me faz ser mais feliz em mim.
Ora, dirás: “Que pena do sujeito,
esse objeto direto pelo mundo
que diz amar no seu comando estreito,
com sentimento tolo e tão profundo...”
Jamais discuto essa questão, nem sei...
Sem ti não chego a mais lugar nenhum,
porque sou tolo e franco como um rei
que vai ao trono sem ter trono algum!
Ah! minha história faz um livro em branco,*
no mais que eu queira... um simples memorando !
Queres saber? Repetirei bem franco
: vivo de amar e sou feliz amando.
*
Não propriamente um
“ livro em branco ”
é
a historia deste poeta
nascido em 1932.
NUVENS PRIMAVERIS
passam
pelo
capítulo
DIÁRIO TRABALHISTA,
que começou a circular no Rio de Janeiro
a 15/janeiro/1946, saindo de circulação em 1961,
quando fechou por dificuldades financeiras.
Em 1946 este poeta ainda cursava
a 2ª do curso ginasial do Colégio Pedro II.
Mais tarde
quando cursava a 2ª série do curso clássico
em 1950
por apresentação
do
Prof. Carlos Torres Pastorino
passei a escrever para
DIÁRIO TRABALHISTA
com o pseudônimo K. SULA uma seção intitulada PÓeÉTICA
contendo versos sobre temas diários e horóscopo
por encomendado Secretário do Jornal que me presenteou com publicações
que davam as dicas astrológicas.
Para dar continuidade a esta parte relativa
ao
DIÁRIO TRABALHISTA
farei pesquisas na Biblioteca Nacional
a fim de transcrever algumas matérias pertinentes.
