P R Ó L O G O
SEMI
TONS
SEMI
BONS
transitivo
de
mim
mesmo
sou verbo
sem verba
SEMI
INCULTO
SEMI
OCULTO
J O ® G E
não
®
!
Traço poesia
como quem traz tricô
para tecer meus sonhos
Me aqueço de poesia
como quem sente frio
por dentro
Me adentro na poesia
como quem sabe
que o Pólo Ártico
virá
das
NEVES
J O ® G E
*
P A R T I T U R A
...e assim partiu
partindo-me nas partes
da partitura
do meu ser partido
que repartido
por estranhas artes
parte
e reparte
o coração partido
JO®GE DAS NEVES
Menção Especial
no
IV Concurso Nacional de Poesia/1983
sob os auspícios
da
AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DE BRASÍLIA
*
VERBO SER
Sou o que vai
o que entra e o que sai
Sou o que vem
o que chega e convém
Sou o que luta
e o que dis
puta
CURRICULUM
Não sou um vagabundo pejorativo
sou meu mundo criativo
no que faço
no espaço
Fico
e me estico
para ser
outro ser
Enfim
sou assim
cigano
ou
engano
poeta
ou
profeta
criança
e
pujança
J O ® G E das N E V E S
BIOGRAFIA
Nasci cresci vivi
ali aqui por ti
180 GRAUS
Amei na lei nem sei
rodei cansei e desandei
POÉTICA
Metro do verso
mede universo
canta na lua
fala na tua
Rima que rimo
rola com mimo
chora na rua
cala na tua
Verso que ponho
versa no sonho
grita na lua
gala na tua
JOGO DE VONTADES
ELA é Moça
e os cabelos dela
são meus cabelos
Os meus cabelos dela
ELA os prende para trás
sabendo que os quero soltos
assim como
EU me solto
ELA me querendo preso...
Nesse jogo de vontades
nos amamos
ELA
os meus cabelos dela
soltando para mim
e
EU assim
deixando-me
prender por ELA
Os cabelos dela
são meus cabelos...
ELA é Moça
!
Ilustrado e publicado com trilha sonora pelo youtube
em http://jorgedasnevespoesiasonora.blogspot.com
LEMBRANÇAS
Rimos nas rimas
primos e primas
tios e estios
gente pungente
sonhos bisonhos
Cantos e desencantos
ares e azares
viveram
desceram
morreram
Inglória
história!
ODE
Canto a liberdade
Me encanto da verdade
da flor do céu do mar
no amor sem véu sem par
Rio no meu Rio
cio sem vazio
no teu no meu do eu
que ardeu sem breu no apogeu
HOMENAGEM
Excelente tua fase!
Quase
a glória
A gente um dia
providencia
a história
AFINIDADES
Sabes que te conheço no fundo
onde teu mundo
é meu também?
Sabes que nos amamos?
Mas não digamos
a mais ninguém
DE UMA CANÇÃO
Sorris da minha dor
mas por amor
te quero ainda
pois linda
me agitas
aflitas
querenças
mais densas
Sorris da minha dor
mas por amor
te curto
no curto
espaço da vida
comprometida
nas querenças
mais densas
QUEM SABE?
Molho os meus pés
no regato a seus pés
que por aqui passava
Os homens chegaram
e o secaram...
Conta a história
que um regato
era aqui um fato!
Choro de pensar
e por chorar
esse meu pranto
por encanto
revive esse regato
que por aqui passava
Vejo de fato
o regato
com meus olhos de poeta
e o sinto aos meus pés
lambendo-me os artelhos
límpidos e vermelhos
levando para longe
a imprudência
e a inexistência
que os homens criam
nesse loucura
e tortura
de ser civilizado
petrificado
esmagado
distorcido
poluído
cego
surdo
mudo
anósmico
que ao final da
história
apalpará somente
a inexistente semente
do micróbio de si mesmo
a esmo!
AO TELEFONE
Arruma a rima
aqui embaixo
Fuma o clima
montanha abaixo
INCOERÊNCIA
Clínico falas
clínico exalas
a fumaça
Trágico corres
tabágico morres
de fumaça
MACTUB
Seremos
da nossa mente
a semente
Brotaremos
pomos
do que somos
Está no espelho
a batom vermelho!
HAY DE SER
Amar a si mesmo
a esmo
prontamente
e cristãmente
é justo e coerente!
Quem não se ama afinal
escolhe o jogo fatal
desaba
ou se acaba...
TÃO SIMPLES
Encontre uma saída
e diga
que é antiga
Encontre uma amizade
e cante
radiante
INDAGAÇÕES
Pergunte a quem é pobre
se é nobre
ser carente
Pergunte a quem é rico
se um tico
lhe é prudente
ESDRÚXULAS FATIAS
Cálidos momentos
em cônicos lugares
Pálidos lamentos
por fônicos azares
Esquálidos tormentos
sem tônicos falares
DIMENSÕES
Só te amar
e divagar
no céu, na terra, no mar
Só te amar
bem ao léu
na terra, no mar, no céu
Só te amar
me encerra
no mar, no céu e na terra
SONHOS SONHADOS
A espessa dor
do sonho terminado
enterrado
no abandono
como um cão sem dono
Perguntam-me
: há esperança?
Respondo
: sonhos tem semente
que de repente
brotam
sem sabermos porquê
MESMICE
Não batam palmas
no velório da mesmice
: esperemos enterrada
mil palmos abaixo
A mesmice tem
sete vidas ou mais
e até morrendo
dá para desconfiar
UM CERTO AMOR AMARGO
Nos lábios fraternidade
nos olhos hipocrisia
Nos braços humildade
nos passos certa ironia
Nas ações frio calor
nos corações desamor...
Assim a humanidade
tão versada em falsidade!
ROTINAS
Distâncias
e circunstâncias
na dor
o trabalhador
na briga do dia-a-dia
fadiga e taquicardia
PREFERÊNCIA NACIONAL
Não beijar de forma alguma
mulher que fuma!
No preconceito me agarro
porque não topo cigarro
Acredite quem quiser
: só beijo sabor mulher
FRUSTRAÇÕES
Como vôo quadrado
pássaro forjado
Como beijo sem gosto
confinado no rosto
Como samba sem brilho
trem morto no trilho
Como dente sem riso
excesso de siso
: assim vivo porque
não a tenho patê!
LIB
Dessutianizada
trepada num grão de areia
ergueu sua candeia
: sou liberada!
NOVA ÓTICA
Pé ante pé
espreito
voyeur
a erótica beleza
de uma mulher
vestida!
TRAGÉDIA
Fez um (l) aço
de (va) idade
e se enforcou a (procl) amar
fi(c)ando um palmo acima
do c(h)ao em que pisamos
FOICE
Estranhamente a peça
se despiu
e partiu
Foi para...
o bem do Brasil!
TIRO CURTO
Ponha no mural
do seu quarto
a cara
o retrato
a carta mal rabiscada
o verso meio quebrado
o postal amarelado
a mecha dos meus cabelos
o chato morto nos pelos
desse meu saco escrotal
mas não revele meu nome
às visitas que aí vão
principalmente à polícia
que precisa de notícia
sobre minha aparição!
Sou aquele pelo mundo
procurado vagabundo
que se perdeu no horizonte...
Escreva na minha fronte
C O N V I D A D O
e o resto deixe de lado
que já me dou por honrado
SELEÇÃO
... a pobreza que mora
em teu destino
o desatino
que chora
em tua idade
a vaidade
que geme em teu peito
esse jeito
que ronda tua face
essa classe
que falta em tua história
a memória
que apaga em tua vida
a ferida
que sangra em tua mente
a semente
que brilha no teu fim
esta sim
transfira para mim!
SARA, CURA
Sexo
Anexo
Reflexo
Amplexo
Não disse nada
mas sem complexo
fiz um acróstico em tua homenagem
Ta na cara
S a r a
!
Só escrevo teu nome
em quatro prestações
porque judia
de mim
o vídeo-tape de teu corpo
programado na IBM...
Pobre de mi!
contigo não dou IBOPE
nem dando vivas a Israel
Sexo
Anexo
Reflexo
Amplexo
e continuo perplexo!
CERTAS HERANÇAS
A uma tal co-herdeira
Herda
fazendo merda
a feliz
infeliz
a imbecil
incivil
a careca de saber
onde pode apodrecer
no melhor deste planeta
! Por isso prometa
não fazer de uma fortuna
uma herança inoportuna!
CHUCHU DIDÁTICO
Xuxú no mercado
ERRADO
!
Xuxú na quitanda
NEFANDA!
Xuxú na feira
BESTEIRA!
Quando eu era cururu
só escrevia xuxú
até que um chuchu de professora
veio ensinar que chuchu
já nem se escreve com X
nem tem acento no U
O nome dela era Glória
MORAL DA HISTÓRIA
: quem não mexe
com chuchu
é que está certo
hein...Babalu
!!!
ÓBVIO
Somos o que somos
não o que fazemos
: lemos
e não somos aptos
: vemos
mas não somos fatos
: temos
e quantas vezes somos os patos!
ANTÍDOTO
Ri
e desafoga tuas mágoas!
Ri
e desabafa teus complexos!
Ri
e lança no espaço tua angústia!
Para que o analista?
se tens em ti mesmo
bálsamo para mágoas
solução para complexos
desafogo para angústia
Ri
Morde a vida como a serpente
e instila em teus problemas
veneno que os aniquile
Ri
que o antídoto está dentro de ti!
ESSÊNCIA
Fera ou criança
no jogo ou na dança
me espraio
Faca e harmonia
sangue e poesia
me ensaio
Forte e harmonia
lavas e rio
me extraio
ILUSÕES
O periquito verde
ama verde
e da gaiola
se consola
através do arame
infame
Olha quem voa
e se fosse uma pessoa
cantaria liberdade!
Na verdade
o periquito chora
porque de fora
existe um mundo
que ele não sabe
moribundo
TRIVIALMENTE
Em seu perímetro estreito
(e de que jeito)
a rotina trivial
apodrece afinal
desfalecem sonhos
bisonhos
gemem frustrações
e senões
vicejam vícios
e artifícios!
: injeta-se
vegeta-se...
A rotina por sinal
sepulta por igual
o mundo em nós
da vida a sós
ASSIM É
Atormenta-se
esfola-se
mata-se
em nome de Deus!
É a religião
vertical
radical
fanática
problemática
E a ligação com um deus
em querendo ser adulta
se perde estulta
na miséria da mente
incoerente
no torpor dos sentidos
pervertidos
FIAT LUX
Cães e gatos
pães e ratos
: a vida
perdida
Paz e amor
Faz a cor
: na estrada
iluminada
ANTILOGIA
A guerra e a paz
a Terra as faz
sem luz
o som e o ronco
do bom do bronco
sem Jesus
HIPOCRISIA
Dança do ventre
desatando os véus
dos arco-íris
Olhos famintos
bocas de cobiça
mãos engolindo
partes do corpo...
Libertinos
quantas vezes dançamos
os pecados de Pompéia
em nossos castos semblantes
JULGAMENTOS
O polegar em riste
O polegar ao chão
Na arena
a vida decide
por esse dedo atroz
Quem julga pelo dedo
tem muito medo
a lhe gritar na voz
MÃOS VAZIAS
Busco
e rebusco
no lusco-fusco
do sonho
Bato
combato
e me abato
tristonho
Volto
revolto
e me solto
medonho
HIPÓCRITA
Sorriso de mato
avesso do fato
vampira
mentira
Sorriso de santo
no olhar e no manto
fingida
ferida
Sorriso na face
de falsa sintaxe
vazia
fobia
EN PASSANT
Flor nos cabelos
perfume nos pelos
boca em carmim
riso marfim
Amo e não amo
chamo e não clamo
tanto me faz
nada me traz
Esse meu jeito
verso desfeito
quer mas não faz
desse momento que atrás...
DECIDIDAMENTE
Passo e transpasso
no tempo e no espaço
pelo caminho
do vinho
Peço e me apresso
amo e confesso
pelas senzalas
e salas
Bato e combato
mato e me abato
pelas certezas
acesas
FATALIDADE
Em completo miserê
só porque
vim, vi e venci
mas me perdi
por você...
ELEIÇÃO DIRETA
O trem da vida
lapida
por respeitado
o ditado
: maquinista
masoquista
contente
bate de frente
CONFISSÃO
Pequei ao te beijar
com santas intenções
Amei ao te apagar
das minhas diversões
ADVERTÊNCIA
O dia já nasceu
e se perdeu
a noite do passado
Não faça do presente
o ausente
convidado
BRUNA BRUMA
Quem é Kim?
Ai de mim
se eu fosse o pai!
Iria a ti
no Morumbi...
Como se vai?
DUO
Ame
e não deixe de pensar
Chame
coração e mente ao seu lugar
Derrame
alma e corpo em belo par
CONCLUSÕES
I
Sabemos como dói
a dor de uma saudade
Jamais cremos que rói
perder uma metade
CONCLUSÕES
II
Pois rimos e falamos
sentimos e brincamos
sem compreender a vida
Amamos e queremos
olhamos e não vemos
o âmago da vida!
DESENCONTROS
I
Aqui parece que neva
ali garanto, sufoca
neste calor glacial tirito
naquele frio escaldante me frito
O nosso tempo anda assim
: mais vermelho que capim!
DESENCONTROS
I I
Gritar pela dependência
abolir a liberdade
proclamar a monarquia
Enfim
apagar a consciência
enfocar toda verdade
dar vivas à hipocrisia
Isso pode ser loucura
mas pior, o povo atura!
LA FOLIE DU PAPIER VERT
(Paris March 21 sept. 84)
Nem só no Brasil
se toma doril
A verde moeda
a todos enreda
e até em Paris
o dólar dá bis
ACRÓSTICO DO FIM ?
FORTE
MASSACRANTE
INSUPORTÁVEL ...